Luís Soares impõe eleições na sede do PS

José João Torrinha presidente da Mesa da concelhia Socialista da Comissão Política Concelhia fez saber a Luís Soares, o presidente da Comissão Política Concelhia e a Ricardo Costa, candidato à presidência da Federação Distrital de Braga, que não tem condições para presidir ao acto eleitoral, marcado para sábado, dia 18 de julho, na sede do Partido, no largo do Toural. Joaquim Barreto, o outro candidato à presidência da Distrital afirmou estar  “a saber pelo Mais Guimarães dessa situação, nada me foi comunicado”.

José João Torrinha não prestou declarações ao Mais Guimarães sobre esta posição, pelo que não se sabe, em rigor, se esta é uma posição pessoal ou da Mesa como órgão. Face ao silêncio de José João Torrinha, também não é possível aferir quem foi avisado desta decisão e quando. Juristas militantes do Partido Socialista, contactados pelo Mais Guimarães, concordam que o Secretariado tem legitimidade para realizar o acto eleitoral, mesmo assumindo que esta é uma posição da Mesa. César Machado, embora reconheça que é possível, classifica a situação como “insólita”.

César Machado afirma que a política do Município tem sido “cuidadosa e sensata” para este militante socialista, “os responsáveis da Câmara, entre eles o presidente Domingos Bragança, devem estar desagradados com esta situação”.

A concelhia de Guimarães tem cerca de 1300 militantes inscritos e alguns socialistas com experiência destes atos eleitorais prevêem que se apresentarão para votar entre 700 e 800 militantes. Na sede dos socialistas, no largo do Toural, não é possível ter mais de duas mesas de voto. Considerando o número de pessoas que estarão nas mesas  de voto “por absurdo pode só poder estar uma pessoa dentro da sede, de cada vez”, ilustra César Machado.

No  artigo º do Regime anexo da Resolução do Conselho de Ministros n.º 51-A/2020, de 26 de Junho estabelece as regras  a observar. “Em todos os locais abertos ao público, devem ser observadas as seguintes regras de ocupação, permanência e distanciamento social:

  • ocupação máxima indicativa de 0,05 pessoas por metro quadrado de área, com  exceção dos estabelecimentos de prestação de serviços. Não incluem os funcionários e prestadores de serviços que se encontrem a exercer funções nos espaços em causa;
  • distância mínima de dois metros entre as pessoas salvo disposição especial ou orientação da DGS em sentido distinto;
  • permanência dentro do estabelecimento apenas pelo tempo estritamente necessário;
  • Proibido permanecer no interior dos estabelecimentos para serem atendidos;
  • Definição, sempre que possível, de circuitos específicos de entrada e saída nos estabelecimentos, utilizando portas separadas;
  • Observar outras regras definidas pela Direção-Geral da Saúde.”

Perante estas regras e no sentido de garantir a segurança dos militantes, na concelhia socialista de Barcelos, Horácio Barra, presidente da Mesa da Comissão Política de Barcelos, impôs que as eleições se realizassem no Pavilhão Municipal, mesmo contra a vontade de Luís Soares. O embate aconteceu numa reunião realizada em Braga, na quinta-feira, dia 16. Neste confronto de vontades, em que Horácio Barra optou por uma posição firme, José João Torrinha escolheu uma posição de meio termo, por um lado demarca-se do ato eleitoral, afirmando a falta de condições, por outro lado não toma uma posição de força.

“Isto é, claramente, feito para que vote menos gente”, Ricardo Costa

Ricardo Costa afirma-se completamente solidário com o presidente da Mesa. Recorde-se que Ricardo Costa era o anterior presidente da Mesa, que foi subsistido no órgão por José João Torrinha, na sequência de umas eleições convocadas depois da demissão dos dois vogais que acompanhavam o presidente. Ricardo Costa acrescenta que é impossível, em oito horas, fazer passar por um local tão pequeno como a sede do PS, em condições de segurança, tantas pessoas. “Isto é, claramente, feito para que vote menos gente”, afirma Ricardo Costa, dando o exemplo de Barcelos. Na concelhia de Barcelos, com cerca de 2300 militantes, o presidente da Mesa da Comissão Política não hesitou em marcar o ato para o Pavilhão Municipal. César Machado defende que “mesmo perante estas contrariedades os militantes socialistas vão acorrer em grande número às urnas”.

A situação poderia ter-se resolvido  quando a Comissão Permanente Nacional aprovou as regras para o desconfinamento e pediu às Comissões Organizadoras do Congresso, de que é presidente em Guimarães, Armindo Costa e Silva, que apontassem sugestões. Na falta destas sugestões no momento certo, restava, agora, o entendimento entre os militantes e o acordo do presidente da Concelhia, Luís Soares.
Alguns altos militantes socialistas afirmam que o próprio Domingos Bragança já terá sugerido a realização do ato eleitoral no Multiusos, a partir das 9h00, contra a posição de Luís Soares.

A posição de Luís Soares relativamente a este ato eleitoral para a Federação Distrital, é distinto da que tomou para a reunião da Comissão Política que elegeu o Secretariado. Nesse caso, uma reunião de cinquenta pessoas foi várias vezes adiada e acabou por se realizar no Auditório da Universidade do Minho, com capacidade para 500 pessoas.

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