M.F.A. MAIS FÉ EM ABRIL

Por César Machado,

Advogado

Como se refere na publicação oficial do Município, “As comemorações dos 45 anos do 25 de Abril assinalam-se em Guimarães com um conjunto de iniciativas, que se estendem ao longo de um mês, numa organização da Câmara Municipal de Guimarães com o Centro Infantil Cultural e Popular (CICP), Cineclube de Guimarães, Círculo de Arte e Recreio e Convívio – Associação Cultural e Recreativa”. Abril com Cantigas de Maio, assim se denomina o programa

Como é sabido, já não existe unanimidade nos municípios do país quanto às celebrações do 25 de Abril deverem serem promovidas pelas Câmaras. Há quem entenda que já não faz muito sentido realizar-se grandes eventos em torno da data. Em Guimarães, não só se entende necessário como –é justo dizê-lo- tem vindo a suceder nos últimos anos um reforço da qualidade das iniciativas, um aumento do número de acontecimentos, um prolongamento temporal dos eventos da programação, por todo o mês de Abril, que engrandece e dignifica estas celebrações. Tem-se “investido”, no melhor sentido do termo, nestas invocações do 25 de Abril e no que a data representa para os portugueses. Este facto –muitos factos dentro “deste facto”- já seria de saudar vivamente. E merecem felicitações os que vêm mantendo esta chama acesa.

A questão, porém, não se fica por aí. Como se lê do primeiro parágrafo, a Câmara Municipal de Guimarães promove um conjunto de iniciativas numa organização conjunta com Associações do concelho, e neste gesto, nesta “abertura” está todo um programa. É justo dizer que para além das associações referidas há outras, desde logo a Banda da Sociedade Musical de Pevidém, que, com vários Coros do concelho e com o Cineclube, vem realizando os excelentes concertos denominados “Sons da Liberdade”. E há outras entidades fortemente ligadas no processo, facto igualmente merecedor de saudação.

O reconhecimento do trabalho cultural feito nas associações está bem reconhecido neste gesto, um gesto de envolvimento e partilha, em que se disponibilizam os meios e a possibilidade para que cada uma destas “casas” possa trazer para o programa global aquilo que melhor sabe fazer, assim se criando uma diversidade discursiva, de ideias e opiniões, de formas de linguagem e de expressões artísticas, que menos facilmente se alcançariam sendo as margens do processo limitadas a estruturas municipais, por muito respeito que por elas se tenha. Aliás, é justo dizê-lo, o empenho destes serviços tem sido de alto nível e de salutar companheirismo com os “amadores” das associações, neste recente modelo das comemorações.

Se já não é unânime celebrar em força o 25 de Abril, mais raro é celebrá-lo desta forma e com esta orgânica, com as associações, “casas de cidadãos”, assim se celebrando a cidadania com os cidadãos por dentro.

As nossas associações são casas que ajudam a construir a cidade, a definir os marcadores de identificação da polis. Do que se trata aqui é de chamar cidadãos, representantes de cidadãos, a celebrar a cidadania. É uma coisa muito simples, mas nisto… está todo um programa. Um programa que vivamente se saúda e aplaude. Por mim, agradeço. Em certa medida, é uma espécie de MFA., que vale por Mais Fé em Abril.

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