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MANTA 2026: “Um ponto de encontro da cidade” nos Jardins do Vila Flor

Paulo Dumas, programador de música e responsável pela programação do festival, recordou ao Mais Guimarães a génese do MANTA e explicou as opções desta edição.

Duas décadas de história

O festival nasce na sequência da inauguração do Centro Cultural Vila Flor, em 2005. Segundo Paulo Dumas, já em 2006 havia um programa de concertos nos jardins do CCVF, ainda sem o nome MANTA, que contou, logo de início, com nomes como os Dead Combo e SUPERNADA. A designação “MANTA” surge em 2007, associada a um programa de concertos ao ar livre nos espaços exteriores do Centro Cultural.  Ao longo dos anos, o formato foi sendo testado e ajustado: houve edições com bilhetes e recinto fechado, e o palco mudou várias vezes de lugar, chegando a estar associado ao próprio Centro Cultural Vila Flor. Só em 2013, explica o programador, o festival “fecha, de alguma forma, o formato atual”, com o palco fixado junto à zona relvada e inclinada que forma um anfiteatro natural.

Por aquele palco já passaram nomes que se viriam a tornar referências internacionais, como Liars, The National, Angel Olsen e Thurston Moore, ao lado de artistas portugueses como Sérgio Godinho.

Uma viragem a partir de 2020

A partir de 2020, ano da pandemia, o festival redirecionou a sua programação para trazer artistas de geografias diferentes das habituais, afastando-se da centralidade da música anglo-americana e da música popular internacional. É essa lógica que se mantém em 2026, ano em que, “curiosamente”, nota Dumas, nenhum artista da grelha canta em inglês.

O festival e a cidade

Para Paulo Dumas, a relação do MANTA com Guimarães é central. Inicialmente realizado em julho, coincidindo com o encerramento da temporada cultural, o festival passou, após a Capital Europeia da Cultura, a assinalar antes a abertura da temporada de programação do CCVF, já em setembro.

O programador descreve o MANTA como “um ponto de encontro da cidade”, que coincide com o regresso de muitas pessoas a casa depois do período de férias: “um momento de encontro, um momento muito familiar”. Dumas confessa um gosto especial pelo ambiente das tardes de preparação do festival, quando já se veem mantas espalhadas pelo relvado e crianças a correr e a brincar, num ambiente que classifica como “muito descontraído, muito familiar” e que, na sua opinião, se reflete na proposta de programação.

O espaço tem também peso na equação: os jardins históricos do CCVF, junto ao também histórico Paço dos Duques, influenciam o que se procura apresentar no festival. Este ano, o programa inclui ainda uma exposição de fotografia, com imagens antigas da cidade.

Questionado sobre a posição do MANTA face à densidade de eventos musicais na cidade, Dumas sublinha que o festival procura afirmar uma especificidade própria, muito associada ao contexto da cidade e ao espaço onde acontece.

Discos novos e vozes emergentes

Sobre a escolha dos artistas desta edição, o programador destaca que os quatro nomes principais apresentam discos novos, acabados de lançar ou a lançar nos próximos meses: a “frescura” do trabalho é, para Dumas, o fio condutor da programação.

Mar Pujol, da Catalunha, lançou disco na primeira metade de 2026 e tem circulado por festivais europeus. Bongeziwe Mabandla, da África do Sul, canta numa língua do interior do país; Dumas recorda que o descobriu num vídeo do YouTube, apenas com voz e guitarra, e sentiu de imediato “uma vibração muito especial”, uma sensação que compara à de quem ouve fado sem perceber a letra. Leo Middea, do Brasil, encontra-se temporariamente radicado do lado europeu do Atlântico para facilitar a digressão que o traz a Guimarães com o disco “Notícias de Puglia”. Já Milhanas, portuguesa, vem de um percurso ligado ao fado que se cruza com a música ligeira nacional; Dumas destaca a sua versão de um tema apresentado por Maria Guinot no Festival RTP da Canção, e recorda a sua participação no concerto comemorativo dos 80 anos de Sérgio Godinho, artista que já tinha passado pelo MANTA.

Por fim, Paulo Dumas deixa nota do programa para famílias, com a oficina de sábado de manhã e o concerto junto às camélias do jardim, com Catarina Moura e Luís Pedro Madeira, que explora a relação entre música e trabalho, inspirado no cantar tradicional associado às vindimas, ainda vivo em zonas mais rurais do país.

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