Questionado sobre o que significa representar Portugal fora de portas, Zé Alexandre não hesita em reconhecer os privilégios da vida de atleta, mas também as suas exigências. “A verdade é que eu acredito, muitas das vezes penso, se é isto que devo ou não fazer”, confessou, admitindo que todos os atletas passam por dúvidas semelhantes.
Mesmo assim, garante que tenta sempre desfrutar do que faz: “Tenho realmente muita sorte em poder fazer aquilo que gosto”, disse, sublinhando que esse privilégio é fruto do seu trabalho e do apoio da família e dos patrocinadores.
O calendário do Guimarães Master Padel coincide, uma vez mais, com o período que antecede o último estágio da Seleção antes da definição da convocatória para o Mundial. Zé Alexandre recorda que, há dois anos, quando disputou o torneio, ocupava a posição de número 3 do ranking, numa altura em que a regra obrigava à convocação dos dois primeiros classificados. No ano passado voltou a estar entre os candidatos, tendo ficado como suplente. Este ano, soube que integra a lista dos dez atletas convocados para o último estágio rumo ao Mundial. “Obviamente que gostava muito de ir. Ir é um dos meus maiores desejos e objetivos enquanto atleta de padel”, afirmou, garantindo sentir-se “totalmente diferente” e mais forte do que na temporada anterior, ainda que reconheça que a decisão final não depende só de si.
Sobre conselhos para quem está a começar no padel e sonha um dia representar Portugal, o jogador defende equilíbrio e profissionalismo desde cedo, sem cair em obsessões: “As pessoas devem sempre desfrutar, arranjar um equilíbrio”, disse, alertando para o risco de o sonho se transformar numa obrigação quando a pressão chega demasiado cedo. Recomenda ainda procurar os melhores profissionais em Portugal, lembrando que o padel deixou de ser um desporto amador: “É um desporto que está bastante profissional.”
Quanto à maior alegria da carreira, Zé Alexandre é claro ao dizer que ainda está por acontecer. Apesar de já ter conquistado títulos importantes, garante que nenhum se compara ao sonho que ainda persegue: vencer uma prova internacional ao serviço de Portugal. “Essa sim era a minha maior alegria. Os torneios que ganhei foram bons, mas nenhum me deixou com as lágrimas nos olhos”, admitiu, deixando no ar a esperança de que esse momento possa acontecer precisamente junto ao Castelo de Guimarães.
Por fim, o atleta deixa o convite aos vimaranenses para não perderem os quatro dias de competição, com atletas do top 100 mundial em ação num cenário que considera espetacular. Apesar de os jogadores preferirem, por norma, condições indoor, Zé Alexandre reconhece que o público tem tudo a ganhar ao assistir ao vivo: “Acho que não há um motivo para não virem assistir”, concluiu, prometendo bom padel, sol e um cenário único.
