MEIA VOLTA VOLVER

Por Ana Guimarães

  1. Gostaria de chamar a atenção dos vimaranenses e do poder municipal para o trabalho que a Associação Vimaranense para a Ecologia (AVE) tem vindo a desenvolver em torno das questões ambientais. Dentro das múltiplas atividades da AVE, realizou-se, no subaproveitado e quase desconhecido, para a generalidade do público, auditório da Fraterna, a sexta edição das Ecorâmicas, uma mostra de cinema documental aberto à discussão e que este ano abordou a urgente questão da mobilidade sustentável.

A este propósito será interessante recordar a visita a Guimarães do Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente que veio abrilhantar a cerimónia de assinatura do protocolo da Mobilidade entre o Quadrilátero, CIM do Ave e CIM do Cávado. Os objetivos do protocolo são o retórico e costumeiro « criar sinergias entre as diferentes autoridades de transporte do território» e um já tardio «desenvolvimento e a operacionalização de um Sistema de Bilhética Integrada e de Informação ao Público em Tempo Real para o território do Quadrilátero Urbano».

Um Sistema de Bilhética? Sim, é importante, tudo bem, mas…é só isso? Bilhetes? É muito pouco para quem já vai atrasado.

Sobre as questões que queremos ver respondidas, como por exemplo, metro de superfície ou comboio como forma de ligação entre os centros urbanos do quadrilátero? (Uma proposta antiga da CDU, do tempo do deputado Agostinho Lopes e do vereador Salgado Almeida). Que tipo de concessão dos transportes urbanos queremos em Guimarães? Como será feita a reforma da frota de autocarros e o consequente ajustamento de horários, que possa contribuir para a coesão do território, capaz de promover uma maior democratização do acesso aos serviços públicos de cultura e outros? Nada nos é dito. O costume, portanto.

  1. Os mais distraídos foram surpreendidos, na semana passada, por uma notícia triste: a venda e a consequente ameaça de despejo do edifício onde a associação cultural Convívio tem a sua sede e residência.

Nunca é demais lembrar a relevância do Convívio na vida da cidade, nomeadamente ao nível cultural, destacando-se pela qualidade com que marca as suas iniciativas. Este problema que o Convívio (e a cidade) enfrenta revela uma situação que não deixa de ser lamentável e preocupante.

Lamentável porque a associação, depois de ter servido de elemento âncora da CEC 20012, não viu retorno material capaz de lhe dar, no mínimo, uma sede. As associações, depois da festa, ficaram como estavam. Ou seja, no que a isto diz respeito, a CEC não serviu para nada. Esta situação é preocupante, pois revela, antes de mais, a precariedade em que se encontram outras associações que têm as suas residências no centro histórico ou nos seus limites.

A autarquia, que é governada há décadas por uma original oligarquia vimaranense, teve e tem responsabilidades que tenta ocultar com um cheque de 150 mil euros. Isto é, de um dia para o outro, o Presidente Bragança descola mais de um milhar de euros para patrocinar o Convívio a exercer um putativo direito de preferência. Assim, livra-se de ficar mal na fotografia, uma vez que sabia do potencial problema e deixou que ele se tornasse no que se tornou. E, se não sabia devia saber, é também para essas coisas que existe um pelouro da cultura.

  1. Por falar de cultura, muito rapidamente: a CMG está preocupada com a falta de público na PAC e pede ajuda às elites (?) vimaranenses para que se arranjem soluções, chegando o presidente Bragança a criticar a programação «elitista» da plataforma e a propor uma curadoria mais “acessível”.

Dois comentários: o primeiro é que o atentado que fizeram no antigo mercado é da responsabilidade da Câmara que optou pelo tamanho macro, quando as circunstâncias pediam algo mais racionalmente dimensionado. O segundo é que a situação de decadência da PAC revela uma realidade que contraria a narrativa da autarquia, ou seja, revela, sem rodeios, uma cidade e um concelho «sem público». Por último, é de assinalar que a autarquia critique o melhor que a PAC tem, que é a sua curadoria que nos permite ter exposições de altíssimo nível. O problema não está na curadoria. O problema é quem criou o problema.

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