Menina vimaranense internada com variante rara de Covid-19, caso único no país

Nas crianças “é galopante o avançar da doença”, alerta Ana Marques, a mãe da criança, de Pevidém.

Menina de 10 anos, vimaranense residente em Pevidém, está internada na pediatria do CMIN (Centro Materno Infantil do Norte), sediado no Porto, a recuperar dos sintomas do covid-19, um único caso em Portugal de síndrome semelhante à doença de Kawasaki, caracterizada por uma inflamação dos vasos sanguíneos.




“A menina começou a fazer febre na sexta-feira, dia 9 de outubro, só temperatura sem sintomas”, revelou ao Mais Guimarães a mãe da criança, que prontamente ligou para a Saúde 24. No Hospital de Guimarães realizaram-lhe um primeiro teste para Covid-19 que deu negativo. O diagnóstico apontava para uma amigdalite, embora a quantidade de plaquetas estivessem abaixo do normal, mas algo “típico de quem tem uma virose”, afirmou a mãe.

Na segunda-feira seguinte, perante a prostração da criança, que se mostrava muito cansada e com o surgimento de umas “manchas atrás das orelhas, uns vermelhões”, a mãe, por considerar que tais manifestações não eram habituais e por a febre se manter alta, contactou novamente a Saúde 24 que a aconselhou a transportar de novo a filha ao hospital Senhora da Oliveira – Guimarães.




“Ao repetirem a análise verificaram que quase não tinha plaquetas e decidiram interná-la.” Refere Ana Marques. Para o internamento realizaram um novo teste à Covid-19 e descobriram que estava infetada e com uma variante rara e perigosa da doença, “que normalmente só é detetada em crianças com menos de 9 anos.” É uma doença que, segundo a mãe, se manifesta com “manchas na pele pelo corpo todo, no sistema hepático, e pela falência de órgãos, nomeadamente os rins, intestinos e pela dilatação do fígado.” Outros sintomas que podem surgir com a doença de Kawasaki são dores abdominais e problemas digestivos, erupção cutânea, conjuntivite e língua avermelhada.

A menina foi transferida, em estado grave, da pediatria do Hospital de Guimarães para o CMIN, no Porto, onde esteve 48 horas nos cuidados intensivos, foi “recuperando lentamente, mas agora está bem, está ativa e em vigilância”, embora ainda apresente sintomas de Covid-19. A mãe deixa ainda o alerta a outros pais para não facilitarem no que respeita aos cuidados a ter face à pandemia da Covid-19.

“Acho importante que estes factos sejam tornados públicos, quer porque o Ministério da Saúde os oculta, quer para apelar à consciencialização das pessoas.” Ana Marques.

Para Ana Marques, “Os pais devem estar atentos aos sinais, à frustração das crianças, não só à temperatura. Às manchas que podem começar a aparecer, à falta de fazerem xixi ao longo do dia. Isto é uma doença galopante. Se naquele dia não fosse ao hospital, eu não tinha filha neste momento. Estamos a facilitar com a ideia de que esta doença não afeta as crianças mas isso não é verdade. Somos responsáveis pelas nossas crianças e temos que estar alerta.”




A mãe revelou ainda que a assistência médica prestada à filha “foi fantástica, agiram muito rápidos, quer em Guimarães, quer aqui, no CMIN.”

Entretanto, os colegas de escola da turma da menina realizaram testes à Covid-19 que deram negativo, embora faltem conhecer os resultados de 4 crianças, que efetuaram ontem, dia 20, os testes.

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