A principal novidade é a criação do Departamento de Economia, Inovação e Turismo, que passa a integrar a divisão de turismo e fica inserido numa direção municipal que articula urbanismo e economia. “Sabemos que, para a economia, também é muito importante as decisões que possamos tomar do ponto de vista do planeamento do território”, justificou o autarca. É o Doutor Tiago Laranjeiro que assume a direção do departamento e a Arquiteta Marta Motaprego continua como chefe da Divisão de Economia. Segundo Ricardo Araújo, a nova estrutura permitirá avançar com a Agência para o Desenvolvimento Económico e Captação de Investimento, já anunciada. O presidente referiu ainda que o estudo sobre o desenvolvimento económico e a captação de investimento, apresentado recentemente, dará origem a uma síntese executiva, que será publicada e debatida.
O autarca destacou, entre os indicadores do estudo, o do salário médio, que no concelho está abaixo das médias nacional e regional e que, nos últimos dez anos, não registou convergência. “Temos de perceber de que forma vamos inverter este ciclo vicioso e passar para um ciclo virtuoso de aproximação, crescimento e desenvolvimento”, afirmou. O estudo aponta ainda uma economia ainda muito assente na indústria e em sectores tradicionais, como o têxtil, o vestuário e a metalomecânica, e um investimento em investigação e desenvolvimento abaixo da média nacional, apesar de haver sectores com produtividade acima dessa média. Como vantagens competitivas, Ricardo Araújo apontou a universidade e os centros de investigação e de conhecimento existentes no concelho.
Três eixos e quatro iniciativas em destaque
O programa organiza-se em três eixos: “Comunidade, Conhecimento e Cultura”, “Aliança para a Inovação” e “Raiz, Escala e Impacto”. O segundo corresponde ao pacto para a inovação que o presidente diz ter proposto desde o início do mandato, envolvendo empresas, centros de conhecimento e academia. “Só através da introdução de valor nos produtos, nos processos ou nos serviços é que as empresas se tornam mais competitivas e, sendo mais competitivas, podem ser mais rentáveis”, defendeu. Sobre o terceiro eixo, o autarca sublinhou a necessidade de as empresas ganharem escala e se internacionalizarem, mas sem perder as raízes: “Queremos que as empresas se fixem aqui em Guimarães, criem talento aqui em Guimarães, sejam capazes de atrair talento para Guimarães e, a partir daqui, abrirem-se ao mundo.”
Programa
O programa começa a 2 de Outubro, no IDEGUI, com “O Couro é Nosso Património”, que o presidente destacou como exemplo de um diálogo entre tradição industrial e inovação. A sessão abre às 14h30 com a inauguração da exposição, na presença de Teófilo Leite, presidente da ICC Lavoro, e de André Coelho, consultor de inovação. Segue-se um debate sobre o couro, do património ao futuro, com a APICCAPS, a Universidade do Minho, o Município de Guimarães e a Malvi. Depois, seis projectos mostram outras tantas inovações: Ambitious, BioShoes4All, ICC Lavoro, Inovesola, Kyaia e Lenera. Ricardo Araújo encerra a tarde.
Na semana seguinte, a 6 de Outubro, começa o Lab2Business, a iniciativa que o presidente apresentou como a ponte entre as empresas e os centros de conhecimento, para transferir ciência aplicada para os processos produtivos. São quatro sessões, sempre das 9h30 às 11h30, com pequeno-almoço, apresentação da instituição e visita guiada. A primeira é no CCG/ZGDV e centra-se na inteligência artificial e na transformação digital, apresentada pelo presidente do instituto, Ricardo J. Machado. A 16 é a vez do PIEP, a pensar na inovação colaborativa internacional, a 20 do DTx e do DONE Lab, com tecnologias para a valorização industrial, e a 27 do Fibrenamics, dedicada ao dual use e às novas cadeias de valor.
Entre as duas primeiras sessões do Lab2Business, a 12 e 13 de Outubro, o Mercado Municipal acolhe o Mercado de Inovação “Do conhecimento à aplicação”. O primeiro dia é dirigido às empresas e abre com Ricardo Araújo e o reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, seguindo-se a visita à mostra, speed meetings para potenciar a inovação colaborativa e uma conversa sobre o futuro da economia local, entre talento, inovação e indústria. No segundo dia, o público-alvo são as escolas e os recém-licenciados, com fast talks sobre carreiras na inovação, speed meetings entre empresas e estudantes e a apresentação do hackathon que arranca a seguir.
Esse hackathon, o Hack4Guimarães 2035, decorre de 19 a 26 de Outubro no CIAJG e foi outro dos momentos destacados pelo presidente. A maratona de inovação junta talento, empresas e centros de tecnologia em torno de uma única pergunta, como transformar Guimarães numa economia positiva até 2035. Os desafios cobrem o aeroespacial, com o objectivo de apoiar um hub regional, a proteção e defesa, as tecnologias inteligentes e a sustentabilidade, que atravessa todas as áreas. Os vencedores serão conhecidos no encerramento do Mês da Economia.
Pelo meio, de 21 a 23 de Outubro, o Planetiers World Gathering traz uma dimensão internacional ao programa, entre a Câmara Municipal, o Teatro Jordão e o CCVF. O primeiro dia é de receção e reuniões institucionais e bilaterais, com almoço de delegações, grupos de trabalho sectoriais, um desfile de moda e jantar de networking. O segundo reúne conferências no Palco de Impacto, sessões de workshop e o jantar de gala oficial. O terceiro é dedicado a visitas a projectos locais, a reuniões bilaterais e a uma passagem pelo Centro Histórico.
A 26 de Outubro, o Avepark recebe “Oferta formativa: um diálogo entre empresas e escolas”, um laboratório colaborativo que parte de uma pergunta: que competências vai precisar Guimarães no futuro e como aproximar a oferta educativa e formativa das necessidades do território. A tarde passa por um momento de ativação entre os sectores educativo, formativo e empresarial, pelo debate sobre as necessidades vistas por escolas e empresas e por um laboratório para definir prioridades, terminando com a partilha das conclusões e dos próximos passos.
O programa fecha a 28 de Outubro, no Paço dos Duques de Bragança, com a conferência “1 País, 10 Capitais: O Futuro Económico fora dos Grandes Centros”, organizada com o jornal ECO, que celebra dez anos. Abre com o diretor do ECO, António Costa, e com uma intervenção do professor universitário Pedro Santa Clara, e reúne empresários no painel “Empresas que projetam território”, moderado por Alexandre Batista. Há ainda um debate sobre as cinco tendências que vão transformar a economia portuguesa até 2035, da IA industrial à proteção e defesa e aos novos materiais. Ricardo Araújo apresenta as conclusões, e a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, está ainda por confirmar. No mesmo dia, o Fibrenamics promove as Ignite Sessions 2026 sobre dual use, e a Associação Empresarial do Minho organiza à noite, no MIT Penha, um jantar-debate sobre defesa.
Foi com a ideia que dá mote ao programa que o presidente encerrou a apresentação: “O futuro não se adivinha, constrói-se.” Para Ricardo Araújo, esse futuro será tão mais sólido quanto mais dados e base científica existirem, e a atenção à economia não pode limitar-se a um mês: “Tem de ser um sistema bem estruturado ao longo do ano.”
