Miguel Zenón Quartet na 30.ª edição do Guimarães Jazz

Nascido em Porto Rico em 1976, o saxofonista Miguel Zenón tem percorrido ao longo das três últimas décadas um trajeto relevante não apenas enquanto compositor e instrumentista, como também ao nível académico e na qualidade de ativista cultural que lhe permite ser, hoje, um dos músicos mais respeitados do circuito jazzístico norte-americano.

Além do historial impressionante de colaborações com um grupo alargado composto por alguns dos nomes mais destacados da criação musical contemporânea como Kenny Werner, Danilo Pérez, Kurt Elling ou Steve Coleman, entre muitos outros, apresenta uma obra discográfica enquanto líder de formação e compositor cujo centro de gravidade é a harmonização das raízes universalistas do jazz e dos diferentes ramos de influência exercido pelas sonoridades latinas devedoras do riquíssimo espólio musical sul-americano. As suas composições foram comissariadas por instituições norte-americanas de renome internacional como o Guggenheim e o MIT e, a par da sua atividade artística, Zenón dedica também grande parte do seu tempo a lecionar em inúmeras universidades em pouco por todo o mundo e lidera desde 2011 a “Caravana Cultural”, um projeto de investimento cultural em Porto Rico centrado na divulgação e no conhecimento do jazz.

Todas estas dimensões de atividade de Miguel Zenón concorrem, portanto, para o seu estatuto de respeitabilidade. Ao praticar, e assim promover, um princípio fundamental de generosidade e reciprocidades na troca de ideias musicais, o músico contribui para a elevação dos patamares de qualidade musical naqueles que o escutam e que com ele dialogam.

Simultaneamente formal e sensual, e pontuada esporadicamente por um certo conceptualismo composicional que lhe acrescenta camadas de profundidade, a música deste saxofonista porto-riquenho será, no Guimarães Jazz 2021, enriquecida por três instrumentistas de técnica meticulosa e enorme sensibilidade melódica. O pianista venezuelano Luis Perdomo, o contrabaixista austríaco Hans Glawischnig e o baterista norte-americano Henry Cole, complementados pela liderança de Zenón, compõem um quarteto eclético de diferentes identidades musicais que se encontram para servir uma música concentrada no aperfeiçoamento de tradições musicais, harmonizadas em pressupostos universalizantes de livre navegação pelo som.

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