MORADORES DE POLVOREIRA EM LUTA PARA PÔR FIM À SITUAÇÃO DAS OFICINAS MUNICIPAIS

Esta terça-feira, 14, vários moradores de Polvoreira, da rua das Lameiras, rua do Formigoso, Bairro do Carreira e rua Comandante João de Paiva organizaram um protesto contra as Oficinas Municipais, instaladas naquela zona da freguesia, devido à infestação de ratazanas a que têm assistido dentro e fora das suas habitações. O descontentamento é demonstrado com um cordão humano que impede a passagem camiões da recolha de lixo da Vitrus. Para esta noite, está agendado mais um protesto.

Ainda assim, a luta destes moradores não é de agora e dura há já quatro anos. A aprovação da mudança do estaleiro das Oficinas Municipais foi aprovada em maio de 2015, em Assembleia Municipal. Desde essa altura que os problemas se têm vindo a agravar, mesmo com várias queixas já apresentadas às entidades competentes. Ruído, mau cheiro, falta de segurança e stress emocional são os principais problemas apontados por estes cidadãos.

“As Oficinas estão localizadas no centro da freguesia, junto de bairros residenciais. A rua em que estão localizadas é estreita, tem no seu ponto mais largo três metros e meio de largura e, por exemplo, dois veículos ligeiros não conseguem passar ao mesmo tempo. Os peões têm que fechar o guarda-chuva para passar um carro. Não existem condições”, começou por esclarecer Lurdes Marques, uma das moradoras da rua das Lameiras.

A vimaranense, autora de várias queixas nas autoridades, referiu ainda que a resposta da Câmara Municipal, ao longo dos anos, é sempre a mesma. “Na sequência do requerimento apresentado (…), a situação exposta é do nosso conhecimento, pelo que estamos a trabalhar numa solução alternativa para o acesso dos veículos pesados ao local”, lê-se numa resposta da autarquia vimaranense, em julho de 2016.

A 14 outubro de 2016, a Unidade de Saúde Pública do ACeS do Alto Ave, sob responsabilidade da Delegada de Saúde Coordenadora Elisabete Machado, relatou que, no local, é efetuada a armazenagem temporária de resíduos nos camiões quando estes não ficam completamente cheios, transitando para o turno seguinte, a lavagem dos veículos não é diária (tal como o previsto) porque não existem instalações adequadas para o efeito e as viaturas são lavadas no exterior, sem drenagem do pavimento, ou em alternativa, nas instalações da Vitrus. Para além da circulação de camiões de resíduos, varredoras e carrinhas de ligeiros, toda a frota automóvel afeta à CMG efetua o abastecimento e reparações nestas instalações. O mesmo relatório conclui que, face ao exposto, “encontramos-nos perante um possível foco de insalubridade associado a incomodidade para os residentes”.

Relativamente ao ruído produzido no local, os testes realizados em fevereiro 2017 revelaram valores bem acima do máximo permitido, chegando aos oito decibéis: “de acordo com as condições de funcionamento da empresa emissora de ruído nos dias da avaliação, verifica-se que o critério de incomodidade no período noturno não cumpre o valor limite de 3 dB(A)”, pode ler-se no relatório.

“De três em três minutos, passa um camião de grande porte. Há picos, que são durante a noite, entre as 23h00 e as 00h00 e entre as 03h30 e as 06h30. Durante o dia, a passagem de camiões e a falta de cuidado destes motoristas é visível. Camiões estes que são do lixo e trazem lixo. Eles dizem que os camiões são desenfetados, o que é mentira porque senão não haveria ratos. Não existe qualquer documento que aprove que aquelas instalações têm tratamento de águas residuais. A Delegação de Saúde esteve lá e atestou que aquilo não reunia condições para laborar. O teste do ruído ultrapassa em três o valor permitido por lei”, continuou a argumentar a moradora.

Contactado pelo Mais Guimarães, Carlos Oliveira, Presidente da Junta de Freguesia de Polvoreira, informou que os trabalhos de desratização foram acionados esta manhã. “A Junta foi alertada na tarde de ontem, pelas 17h00. A partir daí, ativamos todos os mecanismos possíveis para travar o foco. Àquela hora, só foi possível trabalhar hoje de manhã. Já entramos no terreno e já fizemos a desratização àquela zona envolvente”, apontou. O autarca mencionou ainda que a origem da praga é desconhecida. “O foco está num determinado sítio, e não se sabe quais as causas. Poderá vir de muitos sítios, porque temos várias condutas de águas pluviais, temos o rio muito próximo, temas as oficinas, temos o saneamento. Agora vamos ter que aguardar dez dias para que o resultado do trabalho que fizemos hoje de manhã tenha algum efeito”, concluiu.

Também contactada pela nossa redação, a autarquia vimaranense respondeu que “ao contrário do que foi veiculado, os serviços da Câmara Municipal de Guimarães não registaram qualquer participação por parte dos moradores, da existência de uma alegada praga de ratazanas^”, acrescentando ainda que “no dia de ontem, a Junta de Freguesia de Polvoreira formalizou o pedido de colaboração ao Município, no sentido de responder ao apelo dos moradores, autores da denúncia de uma praga de ratos existente na Freguesia, mais propriamente, nas imediações na Rua Comandante João de Paiva Faria Leite Brandão, Rua das Lameiras e Rua do Carreira (no perímetro das oficinas municipais)” e que “a Divisão dos Serviços Urbanos, ainda hoje, de manhã cedo, iniciou a ação de desratização às ruas referidas como comunicou ao proprietário de um edifício e seu logradouro abandonado o qual foi identificado como possível origem desta ocorrência”.

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