Muitas dúvidas e algumas reclamações na entrada ao serviço da Guimabus

No primeiro dia do ano, os autocarros verdes da Guimabus substituíram os Tug no serviço de transporte público de passageiros em Guimarães. A nova concessão de transportes que tem a Câmara Municipal com entidade fiscalizadora e a Guimabus como a prestadora do serviço, entrou em vigor.

© Eliseu Sampaio/Mais Guimarães

O momento foi assinalado por Domingos Bragança, presidente da Câmara, na manhã do primeiro dia do ano numa “viagem simbólica” pela linha Cidade 004, que faz a ligação entra a Universidade do Minho e o Hospital Senhora da Oliveira. Acompanharam Domingos Bragança o CEO da Guimabus, Fernando Salgado, e também os vereadores Sofia Ferreira, responsável pela área dos transportes, Paulo Lopes Silva, Paula Oliveira e Nelson Felgueiras.

A Guimabus está a operar em 66 linhas com uma frota de 80 viaturas, 58 a diesel, com uma idade média de pouco mais de quatro anos, e 22 elétricas. A empresa adianta ter em circulação “a maior frota elétrica do país”.

© Eliseu Sampaio/Mais Guimarães

Mas nem tudo correu bem no arranque do serviço, foi o que constatamos junto de alguns utilizadores, que se queixam da falta de informação sobre os horários nas paragens, como verificamos em plena Avenida de S. Gonçalo, na cidade.

Na Central de Camionagem, na tarde de segunda-feira, dia 3, cerca de uma centena de pessoas procuravam informações sobre horários, tirar o passe, ou reclamar que o passe não funcionava e, por isso, foram “obrigadas a comprar bilhete”.

O senhor Costa viajou pela  primeira vez de Abação até à Central de camionagem,  num “autocarro que vinha atrasado”, Isabel e Beatriz, estudantes na Secundária Francisco de Holanda e Egas Moniz, queixavam-se que a escola não as “avisou de que tínhamos de tirar um novo passe” e, apesar do motorista ter sido “simpático”, trazendo-as à cidade, agora tinham que esperar na fila pelo novo cartão. A aplicação para telemóveis da Guimabus é, para as estudantes, “útil, já que dá para ver os horários, por onde passa, quanto tempo falta para chegar à paragem”. Pelo que verificaram as estudantes, os horários dos autocarros são “compatíveis com as suas necessidades”.

“Agora vamos esperar, tem sido sempre assim” contava Lurdes Novais que chegou de Azurém para tirar o passe e estava na fila. “Vim da Quintã para aqui de autocarro, mas paguei o bilhete, e que agora é mais barato. Eu pagava 1,82 e paguei agora 1,45, contou-nos.

Amélia, do Salgueiral, foi mais crítica, quando disse “não caber, na cabeça de ninguém que “um autocarro que ia para o Santo Amaro pelo Salgueiral, agora vai primeiro por Pevidém e nem passa ao Salgueiral”, acrescentando que “Isto está muito mal, porque uma pessoa quer ir para trabalhar e o primeiro autocarro que temos é às oito menos cinco. As pessoas querem ir trabalhar e não têm transporte”, adiantou.

“Vim agora no autocarro, paguei o passe e diz que não está válido”, conta outra utilizadora.  “E está ali uma senhora que tem o passe pago e obrigaram-na a pagar o bilhete”.

Um estudannte de Nespereira não tem razão de queixas, estava ali só para comprar o passe. “Pelo que vi na internet os horários estão bons, para Nespereira está tudo bem”.

Já Maria Mendes disse já saber dos horários mas ter um “problema”, já que lhe haviam dito que o “passe da Guimabus só dá para os autocarros da Guimabus, e eu vou ter de ter dois passes, para ir para Ronfe. “Mas Ronfe é Guimarães”, lembrou Maria Mendes.

© Eliseu Sampaio/Mais Guimarães

Rosa Ribeiro aguardava a chegada ao autocarro na Avenida de S. Gonçalo, queixando-se da falta de informação, da falta dos horários nas paragens, apontando-nos para os quadros dos Tug ainda expostos. Sobre a presença dos horários na internet, Rosa aponta à sua volta, para as pessoas mais velhas, questionando se elas conseguiriam aceder a essa informação.

Também de Pencelo, da Urbanização de S. João, António Coutinho apelava a alguma calma, dizendo que “isto vai melhorar, porque o povo está assustado por não saber os horários”.

Na conversa, Rosa Ribeiro disse que os horários dos autocarros “não são compatíveis com quer ir trabalhar”, acrescentando um “vamos ver como corre, até os motoristas estão a apalpar terreno, foi o que me disse esta manhã um dos motoristas, e não era dos novos”, contou Rosa Ribeiro.

A Câmara Municipal, contactada pelo Mais Guimarães adianta ainda ser cedo para se fazer um balanço da entrada em vigor da nova concessão, lembrando estar “disponível para, tal como o operador da demonstrou, fazer as alterações necessárias para ajustar o serviço às necessidades da população”.

A prova de fogo da nova concessão acontece a 10 de janeiro com a retoma das aulas.

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