“MUITOS DOS NOSSOS COMPROMISSOS JÁ ESTÃO A SER CONCRETIZADOS”

A vice-presidente da Câmara, Adelina Pinto, que tem os pelouros da Educação e da Cultura, respondeu às questões do Mais Guimarães e fez o balanço deste primeiro ano do segundo mandato.

 

 

Estamos no final do primeiro ano deste segundo mandato. Que balanço faz?

Foi um ano muito veloz, comparado com o meu primeiro ano do mandato anterior. Eu era nova, éramos um executivo novo, e hoje estamos num executivo que na sua maioria é repetente. As dinâmicas estão instaladas. Dos vários compromissos eleitorais, muitas das coisas já estão muito
avançadas. Também porque já tínhamos a ideia dos terrenos, eu nomeadamente nas minhas áreas. O que desenho neste mandato, já o desenho com os pés assentes na terra. Já sei o que tenho feito, onde tenho liberdade para fazer coisas diferentes. Que caminho já fiz que me permita avançar neste momento, e portanto as promessas neste mandato, são mais sustentadas, mais evidentes, mais facilitadas porque o terreno já está conhecido, já está fertilizado, mais na Educação do que na Cultura. A Cultura é um terreno que estou a começar a pisar. Mas na Educação, o terreno já foi muito trabalhado e dará certamente mais resultados a curto prazo. A Cultura é uma área nova para mim.

E como se sente nesse papel?

Vou-me sentindo umas vezes melhor, outras vezes pior. Com a consciência de que ainda tenho muito a aprender, que é uma área em que Guimarães é uma referência. Há uma responsabilidade muito grande em suceder ao José Bastos, uma pessoa muito importante na Cultura em Guimarães, em suceder a todo o trabalho dos executivos anteriores, que culminaram na Capital Europeia da Cultura. Acho que tenho que fazer o meu caminho enquanto pensadora da Cultura em Guimarães, e portanto tentar criar aqui novas sinergias, nesta ligação com a Educação e Cultura, que tem que ser trabalhada desde a tenra infância. Numa ligação cultural que valorize mais aquilo que se produz, ou seja, dando palco àquilo que localmente se vai produzindo, sem cair no exagero. Não podemos estar completamente virados para dentro, porque não crescemos, não criamos, mas também não podemos estar completamente virados para fora, virando as costas àquilo que em Guimarães se produz. Portanto, o meu desafio será esta ligação.

Já se sente o seu dedo na oferta cultural de Guimarães?

O que me fazem de eco é que sim, que já se sente um bocadinho isso. Mas podem estar só a passar-me a mão nas costas. Acho que houve um trabalho prévio que foi feito pelo anterior vereador e estrutura, que me facilitou. Temos uma relação excelente com toda a comunidade e temos tentado trabalhar muito estas questões. Acho que se vai sentindo e acredito que no final do mandato se sentirá certamente, porque é um desafio para mim. E esta ideia da Cultura para todos e com todos é mesmo isso.

A sua necessidade de questionar as coisas foi um fator fundamental para as equações que surgiram relativamente à Plataforma das Artes?

Nós neste momento não estamos a questionar o caminho da Plataforma das Artes. Nós falamos sempre dela, no Conselho Consultivo, há muito tempo. Tenho trabalhado com o Nuno Faria, o nosso diretor Artístico, no âmbito da programação e de tudo aquilo que se tem feito, e o que nós sentimos é que o trabalho do CIAJG, enquanto museu de arte contemporânea, está cimentado num
grupo que é o grupo que o frequenta. Temos grandes nomes, exposições muito valorizadas. Nas aberturas sentimos muito isso, que temos muita gente, muito eco nas revistas da especialidade, e acho que isso está feito. Qual o nosso questionamento neste momento? É que a PAC apesar de ter esta aceitação, junto das entidades externas, como tem Serralves, não o tem dentro dos vimaranenses.

O problema será o facto de Guimarães não ter a centralidade de outras cidades?

Primeiro, sentimos que a PAC é demasiado grande, demasiado ambiciosa para um território como o de Guimarães. Tem que ser pensada numa prespetiva regional e nacional, isto é, não pode ser um ónus só da cidade. A Ann Hamilton teve esta sensibilidade e trabalhou muito esta questão que é a do velho Mercado e o novo Mercado. Temos de olhar para a PAC e pensar é como é que ela se cruza com os vimaranenses. A questão dos números e dos visitantes não é o essencial. Nenhum museu de arte contemporânea tem milhares de visitas. Falta-nos aqui este clique para Guimarães. Nós trabalhamos, e temos trabalhado com as escolas, porque acreditamos que os meninos vão lá em contexto escolar e depois vão levar as famílias. Estamos agora com as Artes Visuais, muito sediadas ali. Quando foi a Contextile, com a Ann Hamilton centramos muito ali na PAC, que trouxe milhares de pessoas. Este questionamento que está a ser feito não significa que não haja questionamento para trás. Agora, também temos que ter consciência que um equipamento daqueles não se faz, não se produz em meia dúzia de anos. Mas não está nada em causa. Temos de sentar um conjunto de pessoas que consideramos válidas, colocar estas nossas questões e continuar o nosso caminho ou redefini-lo.

O crescimento a nível cultural de cidades que rodeiam Guimarães preocupa o Município?

Acho que temos de perceber que a questão da cultura está a ser agarrada pelos municípios à volta. Até há uns anos, esta parte era domínio de Guimarães e começa a ser tripartido. Não é uma
preocupação, acho que é bom sentirmos esta competitividade, também nos faz crescer. Não vejo isso como um ponto fraco. O que acho é que é preciso fazer algum trabalho, e está a ser feito no âmbito do quadrilátero, algum trabalho que possa ser conjunto. Temos o Guimarães Jazz, o Guidance e como podemos desenhar uma programação para este quadrilátero, não sendo obstáculos uns dos outros? O Vaudeville é um bom exemplo, dividimos um custo por quatro municípios.

Com a força que A Oficina representa na oferta cultural de Guimarães, as associações ficaram sem algum do espaço que detinham há uns anos. Isso é preocupante para si?

Não considero. Por exemplo, o Convívio este ano teve um excelente plano de atividades, que engrandeceu a cidade. A mesma coisa com o CAR, com o Cineclube. Estas associações, que têm um lugar grande no panorama cultural da cidade, inclusive é no próprio planeamento da programação que se cria espaços para estas iniciativas das associações. O que acontece muitas vezes é, se a Oficina tem um evento muito grande e há uma destas associações que tem um evento, se previamente definirmos quando é que cada um entra, podemos dar um melhor serviço aos vimaranenses.

A crítica que habitualmente ouvimos é que a oferta cultural que resulta da CEC 2012 é elitista. Deviam os responsáveis culturais ter optado por outros caminhos?

As decisões que nós tomamos em determinada altura têm por base todas as outras que estão para trás. Agora, pode perguntar ao contrário: se não houvesse Capital Europeia da Cultura em 2012, hoje conseguia tomar esse tipo de decisões? Provavelmente foi preciso um trabalho de elitismo, de redimensionar Guimarães nesta área. Se calhar foi preciso ter feito este caminho. Faço disto matriz de vida: quanto mais sei de um assunto, mais dúvidas tenho. Hoje só temos um ExcentriCidades porque tivemos uma Capital Europeia da Cultura, e temos já esta zona urbana muito trabalhada. Se não a tivéssemos, não estávamos a investir nas freguesias e nas vilas.

 

Leia a entrevista na íntegra no jornal Mais Guimarães.

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