“Não há gente a viajar”, o pesadelo da hotelaria vimaranense

Os efeitos da pandemia são visíveis nas ruas de Guimarães. A cidade está deserta. Sem habitantes que possam sair e sem turistas que possam chegar e visitar. Fechados de março a junho, o verão pode não compensar o inverno nos hotéis.

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“Reabrimos em junho”, começou por explicar Pedro Mendes, diretor comercial do Santa Luzia ArtHotel. “O verão foi uma época relativamente positiva, tendo em conta as situações atuais”, tendo mesmo sido surpreendente “a atividade que durante os meses de julho e agosto, e até mesmo setembro”.




Sofia Albuquerque, do Hotel Vila, diz que a quebra tem sido “bastante grande” e que, “desde que foram fechados os concelhos, o prejuízo tem sido enorme”. No hotel fazem desinfeções e medem a temperatura aos clientes, o que faz com que haja mais “confiança para visitar”. Sofia Albuquerque garantiu que as “quebras rondam os 30/40%.”

De abril a junho, as Pousadas da Juventude estiveram no “combate à pandemia”. “Como consequência da nossa responsabilidade social, fizemos uma opção de não ter receitas para disponibilizar as unidades para outros efeitos, para acolher membros da proteção civil, elementos das forças de segurança, alguns doentes que precisavam de estar em isolamento ou familiares de doentes”, explicou Pedro Coelho da Movijovem.

“O verão não correspondeu às expectativas”

João Xavier

As Pousadas da Juventude reabriram ao público em julho, tendo havido uma “recuperação muito ligeira, mas em grande quebra face ao ano anterior”. O mês de agosto acabou por ser aquele que teve maior afluência, “embora muito aquém dos valores do ano passado”. Este foi o cenário que se manteve em setembro e outubro.

O selo Pousada da Juventude Segura tem sido uma mais valia. “Tivemos a validação, por parte da DGS, daquelas que são as normas básicas de higiene e segurança. Foi um contributo para que a operação não se ressentisse tanto e que não tivéssemos uma quebra tão intensa.”

No Santiago 31 Hostel, a história repete-se. “Não há gente a viajar”, desabafa João Xavier. “O verão não correspondeu às expectativas”, sendo que pode “não compensar o inverno”.

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Novembro parece que está a ser o pior mês para o setor. Pedro Mendes contou ao Mais Guimarães que “esta altura está ainda mais baixa, com muito pouca afluência”. Tiveram alguns clientes nacionais, e até de Guimarães, mas “estas medidas que foram implementadas, limitam muito as pessoas”.

João Xavier explicou que “o mês de novembro e o mês de dezembro, sempre foram meses relativamente fracos. Estão a ser um bocadinho mais fracos.”




Sem reservas, ou com reservas no próprio dia

No Santa Luzia ArtHotel não houve muitos cancelamentos, “porque também não tivemos muitas reservas”. A forma como as reservas são feitas também foi alterada: “a maioria dos clientes acaba por não fazer planos a muito longo prazo. Muita gente reserva três dias, dois dias antes, e muitas vezes até no próprio dia”. 

“A maioria dos clientes acaba por não fazer planos a muito longo prazo”

Pedro Mendes

“O que se nota mesmo é que as pessoas hoje em dia não fazem as reservas para daqui a um mês. Se no ano passado tínhamos reservas, pelo menos, para os fins de semana de dezembro, por causa do Natal, neste momento não temos”, quem o diz é João Xavier. “As pessoas aprenderam com o que aconteceu em março, abril… marcaram com antecedência e tinham o problema das reservas não reembolsáveis. Neste momento não correm esses riscos”, explica.

“Está difícil, e basta andar nas ruas de Guimarães para nos apercebermos disso. Para este fim-de-semana não temos reservas”, concluiu João Xavier.

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