NO MANTA DESCOBRIU-SE E OUVIU-SE MÚSICA SEM PRESSA

O festival marca o arranque da temporada cultural do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e de Guimarães. A 13.ª edição contou com Holly Miranda, Bruno Pernadas, Momo e Serushio.

 

@CCVF

 

Um festival faz-se de muito. De sinceras palavras cantadas, do encontro das mesmas com acordes cujo som entra no peito. De vozes aveludadas, do sonho que se vai embrulhando nos ritmos díspares que se vão ouvindo. E de conversa, de gente, sobretudo de gente. À 13ª edição, o Festival Manta continua a oferecer uma via de acesso gratuita à rentrée cultural na qual, desacelerando, nos podemos demorar. Na passada sexta e sábado, houve tempo para aproveitar a proposta musical para o Manta deste ano.

Os jardins do CCVF não estavam completamente cheios e nem esta terá sido a edição mais concorrida de sempre do certame, mas quem por lá passou terá, certamente, aproveitado o momento. Facto: em todos os concertos houve espaço para que o vínculo entre audiência e artista se fosse estreitando. E essa é, segundo Rui Torrinha, diretor artístico do CCVF, uma intenção clara: “O que o Manta tenta trazer é a magia de escrever canções e de que forma é que isso pode gerar uma relação íntima do público com o artista”, contou. E a magia das canções — que traz a alegria, o sonho, a quietude no momento de assimilar mensagens cantadas, a calma e a euforia — conta, para Rui Torrinha, bem mais do que a “projeção do artista”. “A qualidade do artista é fundamental para o público descobrir e surpreender-se com alguém com quem não tem uma relação mediática”, explicou.

E descobriu-se, certamente. Com a destreza com que Momo contou histórias em inglês, português ou espanhol, deambulando pelo samba e pela familiaridade do fado. Todo ele vestido de azul, calças arregaçadas como quem molha os pés no mar numa noite que bem podia ser fim de tarde. Ou com a paisagem norte-americana de Serushio, cujo concerto tanto podia ser naquele palco como num bar cujo balcão é regado a whisky ou numa solitária e longa viagem de carro. Também com o mais reconhecido Bruno Pernadas e a sua armada em palco, todos artilhados com vozes e instrumentos que não se cansam naquela maratona sónica entre espetros musicais distintos. Não houve quem se levantasse da manta estendida jardim abaixo — parece já se ter estabelecido um pacto mudo entre a audiência.

Mas o conforto não deixou que, aos poucos, o público se fosse deixando conquistar. Foi o que aconteceu logo no final da primeira canção de Holly Miranda, a norte-americana que fechou o festival e que, confessando a dificuldade de dar dois concertos num só dia (tinha estado em Espanha na tarde de sábado passado), encantou aquele jardim com temas dos discos que foi lançando, como o último álbum, “Mutual Horse”, e covers de Nina Simone, Portishead e Leonard Cohen. “Gostei muito e não conhecia”, ouviu-se, no final do concerto de Holly Miranda. E, afinal, esse é o objetivo do festival: ligar-nos, com calma, ao que não conhecemos. Vantagem: podemos fazê-lo espraiados numa manta nos jardins do CCVF.

 

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