“NO STAND-UP TENHO MUITA MAIS LIBERDADE CRIATIVA”

Ana Garcia Martins, conhecida como “A Pipoca Mais Doce”, prepara-se para iniciar a sua primeira tour como comediante. A blogger vai percorrer o país com um espetáculo a solo designado “Agora Deu-me Para Isto”. O São Mamede CAE, em Guimarães, será palco do espetáculo este sábado, 28 de setembro. O Mais Guimarães esteve à conversa com Ana Garcia Martins, que desvendou alguns dos temas que serão destacados no espetáculo.

Jornalista, blogger, escritora… Como é que surgiu o stand-up na sua vida?

Por um mero acaso. Sempre fui consumidora de stand-up, sempre gostei muito de humor, mas não me imaginava a subir a um palco. Há uns anos convidaram-me para participar no roast à SIC Radical e, desde então,…

O que é que a atrai mais nessa área?

Eu venho das redes sociais. Criei um blogue há 15 anos e, ao início, tinha imensa liberdade para escrever o que quisesse, da forma que quisesse. De uma forma geral, as pessoas percebiam que eram só piadas, que não havia o intuito de ofender ninguém. Entretanto, mudou tudo, o escrutínio tornou-se muito maior, assim como a vontade de implicar e de estar constantemente à procura de motivos de indignação. Isto faz com que eu esteja constantemente a praticar autocensura e a tentar perceber com o que é que as pessoas se vão chatear a seguir. É um processo muito cansativo para quem vive da produção de conteúdos baseados no humor. No stand-up comedy não sinto essas limitações, pelo contrário. Sinto que voltei à génese do blog, quando podia escrever sem grandes filtros, porque quem vai ver um espetáculo sabe que são só piadas, não tenho de estar sempre a justificar-me. Por outro lado, gosto muito da sensação de fazer rir outras pessoas.

Que temas irá abordar no espetáculo?

Pegando um pouco naquilo que disse há pouco, de sentir que no stand-up tenho muito mais liberdade criativa e humorística, vou aproveitar este espetáculo para pegar em muitos dos temas com os quais já vai sendo complicado brincar. No fundo, vou fazer uma viagem pelos meus “odiozinhos” de estimação, que tanto podem ser coisas pequenas, como pessoas que estacionam em segunda fila, como coisas maiores, como  a maternidade.

Quais são os principais desafios para as mulheres no mundo da comédia?

O stand-up é um meio tradicionalmente masculino, porém, há cada vez mais mulheres a aderir. Mas, mais do que querer ver mais mulheres ou mais homens ou palco, eu quero ver pessoas com piada, sou pela meritocracia. Ou, neste caso, pela “humorocracia”, um termo que eu inventei agora. Dito isto, sinto que ainda há alguma resistência por parte do público em ver mulheres a atuar. Parece que vão sempre de pé atrás, do género “vamos lá ver se esta diz alguma coisa de jeito”. Por outro lado, é mesmo que não seja de forma implícita, sinto que às mulheres ainda são impostos alguns limites em termos de linguagem ou dos temas abordados. Um homem dizer asneiras em palco é só um dia normal, se for uma mulher já é vulgar. Mas pronto, de uma forma geral acho que estamos no bom caminho.

Alguns espetáculos da sua tour já estão esgotados, como em Lisboa, Almada, Estoril… Como encara esta reação do público?

Com surpresa, muita ansiedade e algum terror! Ainda me custa um bocadinho assimilar que há pessoas que pagam para me ver, quanto mais ter casa cheia. É uma responsabilidade, espero não defraudar ninguém. Mas, caso isso aconteça, não vale a pena pedirem a devolução do dinheiro, já investi tudo em calmantes.

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