Com instalação prevista no campus do Hospital da Senhora da Oliveira, o ITAAVE representa um investimento estimado em 43 milhões de euros e prevê a criação de uma unidade avançada de teranóstica e medicina nuclear. Na prática, a abordagem combina exames que permitem identificar características específicas de uma doença com tratamentos dirigidos, procurando tornar a terapêutica mais precisa e personalizada, nomeadamente na área oncológica. O Instituto pretende integrar estas valências numa estrutura que articule diagnóstico, terapêutica, investigação, desenvolvimento e formação.
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, destacou o alcance do projeto para o futuro do concelho e a saúde como prioridade estratégica do Executivo Municipal. “Não há desenvolvimento verdadeiramente sustentável sem comunidades saudáveis. Não há inovação com impacto se ela não contribuir para melhorar, na prática, a vida das pessoas”, afirmou, sublinhando a necessidade de “criar condições para atrair conhecimento especializado, gerar emprego qualificado e reforçar a projeção de Guimarães nas áreas da ciência e da inovação”. O autarca recordou que o investimento “não é residual”, com 43 milhões de euros e a previsão de 63 postos de trabalho diretos e 20 indiretos, e defendeu tratar-se de um projeto único que permite consolidar a ambição de afirmar Guimarães “do Berço da Nação ao Berço da Inovação”.
Álvaro Santos, presidente da CCDR-Norte, destacou a importância de transformar o conhecimento produzido na região em melhores serviços, novas atividades económicas, emprego qualificado e maior valor acrescentado. Para o responsável, “a excelência científica e tecnológica não tem de estar concentrada nos grandes centros urbanos”, enquadrando o ITAAVE numa visão de desenvolvimento regional mais equilibrado, alinhada com as prioridades da Estratégia Norte 2040.
Pedro Guimarães Cunha, presidente do Conselho de Administração da ULS Alto Ave, apresentou o projeto como uma nova capacidade clínica e científica a desenvolver a partir do Hospital da Senhora da Oliveira, reforçando a resposta a doenças como o cancro. Defendeu que esta capacidade se desenvolva com elevados padrões de qualidade e segurança e ligação ao sistema público de saúde: “É absolutamente necessário encontrar uma solução com critérios de segurança, eficiência, eficácia e, não menos importante, que nasça dentro do nosso Serviço Nacional de Saúde”.
As Jornadas reuniram mais de 30 parceiros, entre instituições de saúde, municípios, universidades, centros de investigação, escolas e entidades empresariais. Ao longo do dia foram debatidos temas como investigação e desenvolvimento em saúde, inteligência artificial, transformação digital, sustentabilidade e simulação clínica.
