Nuno Vieira e Brito sobre o Plano e Orçamento de 2022: “esperávamos seguramente muito mais”

Na discussão e votação do Plano e Orçamento para 2022, apresentado pela Câmara na Assembleia Municipal na última quarta-feira, dia 29, coube a Nuno Vieira e Brito, deputado e líder do CDS-PP de Guimarães, justificar o voto contra do seu partido.

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Nuno Vieira e Brito começou a sua intervenção por afirmar que o CDS tinha “uma particular esperança” neste primeiro Plano de Investimentos e Atividades que “inicia um mandato, de continuidade, mas que se caracteriza por uma última oportunidade de marcar diferença”.

Uma esperança justificada pelo deputado na mensagem inicial do presidente da Câmara perante a Assembleia no ato de tomada de posse, quando citou Nelson Mandela, “revelando-nos ambição”. Na altura, disse Domingos Bragança: “Depois de escalar uma montanha muito alta, descobrimos que há muitas outras montanhas por escalar”.

 “Não conseguimos encontrar, neste Plano, a ambição de Mandela nem a nota distintiva que marque, ou poderia marcar, Guimarães”

Nuno Vieira e Brito – Deputado do CDS-PP

Para o deputado, o problema é “desde logo, por questão de estratégia, ou talvez por dificuldade de inovar”, que o documento coloca a prioridade na educação, ciência e cultura, que era, diz “o primeiro eixo programático do mandato anterior, ainda mais abrangente”. E tal representa, para Nuno Vieira e Brito, “de facto, uma continuidade”.

O líder do CDS-PP de Guimarães critica não ter encontrado no Plano uma preocupação com a fixação de jovens recursos, com a “valorização profissional e pela inovação, fator de criatividade e valor” através da criação de “empregos dignos”, em particular para os mais jovens e qualificados.

Diz também que esperava que a estratégia “manteria a aposta” do município “na cultura e na inovação para todo o território concelhio, e que as prioridades se fixassem na competitividade do território, na coesão social e territorial de todo o concelho”.

Nuno Vieira e Brito considerou “demasiado ténues, talvez por timidez ideológica”, os apoios ao setor privado, seja em “captação de investimento, na descriminação positiva de novas oportunidades, ou mesmo, na disponibilização de condições para fixação de empresas”.

Neste ponto, o deputado manifestou  também preocupação com o “eventual insucesso da candidatura de Guimarães ao programa dos Parques Industriais Tecnológicos”, criticando a presença, em 2021, tal como em 2017, do objetivo da ampliação de um número elevado de parques industriais e a criação do parque industrial de Moreira de Cónegos.

Criticou também a renovação de “compromissos anteriores de intervenção nas habitações sociais” e a construção de habitação a custo controlado, suportado no Plano de Recuperação e Resiliência. “Intenções positivas, demasiado lentas e comprometedoras do desenvolvimento”, lamentou o deputado.

Seguiram-se as críticas à mobilidade, em que o deputado destacou a importância da ligação ao comboio de alta velocidade que, sendo considerado do Plano como um “investimento central” não pode estar no domínio das possibilidades.

Nuno Vieira e Brito disse também que “Guimarães está socialmente mais frágil” e que o município tem uma  estratégia baseada “exclusivamente no assistencialismo, descurando o incentivo à economia social e integração das populações vulneráveis”. Manifestou ainda preocupação com os empresários ligados ao turismo, restauração e ao comércio. Neste Plano, “não se encontra uma orientação que dê esperança a estes vimaranenses”.

Sobre a agricultura, uma área sensível ao deputado, Nuno Vieira e Brito disse pouco se saber sobre os projetos agrícolas implementados e sua sustentabilidade numa “agricultura baseada em conceitos ecológicos e de biodiversidade”, propondo que o município promova o consumo dos produtos locais nas cantinas, nas empresas municipais, nas instituições de solidariedade social,  apoie a comercialização em refeitórios de empresas, e tenha uma estratégia nacional ou internacional de promoção dos produtos locais de Guimarães.

O deputado democrata cristão criticou ainda a “ausência de qualquer referencia a uma politica de defesa e proteção dos animais, seja através do alargamento do centro de recolha oficial seja de politicas de esterilização e de saúde publica, em particular dos animais errantes e munícipes carenciados”.

A terminar, disse que compete ao CDS, como “oposição construtiva, apontar deficiências e propor caminhos”. Mas, como primeiro de um último ciclo, esperávamos seguramente muito mais”.

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