O ADN da Outrasformas é a “qualidade e o compromisso de pensar no futuro”

No gabinete de arquitetura, em Guimarães, Filipe Vilas Boas e Pedro Vinagreiro lideram uma equipa multidisciplinar constituída por 14 pessoas, entre arquitetos, designers e técnicos especializados em gestão de obras.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

A palavra de ordem é compromisso, considerada pelos arquitetos como “fundamental” para a relação da empresa com os seus colaboradores, parceiros e clientes, como também “a qualidade do que se faz, com seriedade e transparência”.

A equipa, para além de multidisciplinar, inclui elementos de outras nacionalidades, que contribuem com outras vivências e outras experiências, tornando as suas perspetivas “muito enriquecedoras” para o “know how” gabinete.

O ADN da Outrasformas é a “qualidade e o compromisso de inovar para processos de construção sustentáveis”.

Esta é uma das frases que ficam na memória daquela manhã de início de fevereiro em que estivemos à conversa com Filipe Vilas Boas e Pedro Vinagreiro num histórico edifício da Rua de Camões, em Guimarães, que agora foi transformado num requintado hotel.

Este empreendimento promovido pelo vimaranense e tenista João Sousa, inaugurado há cerca de um mês, possui 16 quatros, e a magia que ali se deu, nasceu das mãos dos responsáveis pela Outrasformas, o gabinete de arquitetura vimaranense que, tem intervindo de forma significativa na reabilitação do centro histórico de Guimarães.

A conversa tranquila, que abordou alguns edifícios pensados pela Outrasformas, e que integram o dia-a-dia dos vimaranenses, abordamos outros equipamentos hoteleiros recuperados recentemente na cidade-berço ou até sobre o projecto da Escola Hotel do IPCA, que será construída em breve na Quinta de Costeado, projeto que promete apresentar uma nova “abordagem no modo de reabilitar e construir novos edificios”, na opinião destes, adaptada aos novos tempos.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

Filipe Vilas Boas fala-nos deste “novo tempo”, diferente do que viveu no início da sua já longa carreira, em que o mais comum era construir habitações de raiz, em que, como jovem arquiteto, teve oportunidade de explorar, “com toda a liberdade artística, com liberdade de expressão”, tempos em que a sustentabilidade ainda não era o foco.

Embora pensar a arquitetura dentro da mesma realidade, continue a fazer parte do dia-a-dia da Outrasformas, o arquiteto fundador do gabinete fala de um “novo tempo”, em que “a simplicidade tem que passar a fazer parte do nosso dia a dia” em que a reabilitação dos edifícios existentes, representam a poupança e recursos fundamentais para a sustentabilidade ambiental, social e económica das sociedades.

Filipe Vilas Boas faz uma pausa para nos levar a apreciar o espaço envolvente, na sala de estar do hotel, assegurando-nos ser “possível dotarmos estes antigos edifícios da mesma qualidade ou ate superior à de uma casa de luxo feita de novo, com os materiais mais modernos”.

“É fundamental estarmos atentos ao contexto em que vivemos em cada momento, focando no que é realmente importante”

Filipe Vilas Boas

Pedro Vinagreiro, também sócio da Outrasformas, sente que “a consciência humana caminha no sentido de valorizar o que é essencial”, até porque os recursos serão cada vez menos e mais dispendiosos “temos que nos focar no conforto, na qualidade, o que é acessório começa a ficar para segundo plano”.

É desta maneira que a Outrasformas quer desmistificar, “acrescenta Filipe Vilas Boas. “Temos de ser os técnicos que induzem a sustentabilidade, a consciência das pessoas que podem viver confortáveis sem estarem rodeadas de materiais ditos luxuosos, assentes em pressupostos que tendem a desaparecer porque este já não é o seu momento, já passou”.

O “luxo” que o arquiteto deve promover, acrescenta Pedro Vinagreiro, é na capacidade de interpretar o lugar, de desenhar espaços e desenvolver soluções que visem simultaneamente a qualidade espacial e construtiva. O foco na obtenção de conforto, eficiência energética e sustentabilidade, características cada vez mais indissociáveis a uma indústria com um peso significativo no futuro da humanidade.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

A Outrasformas privilegia o contacto com o cliente final, em que o envolvimento é maior e os projetos executados com uma ligação emocional muito grande, e com elevada personalização, comparada a de um alfaite. Porque, diz Filipe Vilas Boas, “a arquitetura é também emoção, é a relação das pessoas com a vivencia com espaços e os sentimentos que a luz e sobras lhes provocam”.

Por isso, para além da Outrasformas, dedicada exclusivamente à arquitetura, foram surgindo outras empresas na esfera do grupo, relacionadas com todo o espectro do processo construtivo, desde a reabilitação dos edifícios até ao design de interiores, com o objetivo de viabilizar uma visão coerente de um processo complexo e extenso, que visam salvaguardar a matriz e a identidade do projeto

Dessa forma, diz Pedro Vinagreiro, “garantimos que o nosso projeto, que é uma fase inicial de todo o processo, é salvaguardado na sua qualidade, na sua essência. Percebemos que tínhamos que ter todas as ferramentas disponíveis para garantir ao cliente atingir os objectivos estabelecidos, desde o projeto até termos a obra estar concluída”. A Outrasformas é apresentado como um projeto que vai para além do tempo do seu fundador, Filipe Vilas Boas, que diz ser “uma empresa que não começa e acaba comigo, é indissociável da minha pessoa mas é uma marca para o futuro, que espero continue para além de mim”. 

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