O “Avante!”

por TORCATO RIBEIRO 

António Costa decidiu trazer o tema da Festa do “Avante!” para o debate politico, abrindo o palco da discussão a variados intervenientes, que dias a fio debateram sobre se a mesma se deveria ou não realizar. Esta discussão até poderia ser, do ponto de vista teórico, algo interessante, mas pouco ou nada contribui para a vontade de fazer ou não a Festa. Esta decisão pertence exclusivamente aos dirigentes comunistas e aos seus principais obreiros: os seus militantes e amigos, que tiveram em conta considerações de vária ordem, não subestimando a conjuntura politica e social e o cumprimento rigoroso de todas as normas e preocupações sanitárias. Pormenores importantes que exigem responsabilidade e bom senso na decisão adoptada. Outra coisa não seria de esperar de um partido que no próximo ano completa cem anos de vida e que tem pautado a sua acção ao longo da sua existência- mais de quarenta anos debaixo do regime fascista – com coragem, coerência e responsabilidade na luta pelos direitos do povo português e maturidade suficiente que lhe permite não embarcar, de ânimo leve, no discurso oficial do medo que nos é induzido diariamente a pretexto da pandemia.

Do pretendido e fracassado julgamento popular, retirando o ódio e o anticomunismo primário do costume, foi interessante verificar a cambalhota que alguns meios de comunicação tiveram que dar para continuarem no alinhamento habitual: viram-se obrigados a mostrarem imagens que nunca foram divulgadas, deduzo que guardadas no arquivo do chefe de redação, onde se vê a verdadeira dimensão da Festa, com milhares de pessoas alegres num convívio saudável, franco e de grande camaradagem! O que tem sido sistematicamente censurado serviu agora para sustentar a teoria de que afinal esta Festa é como as outras, e que também junta milhares de pessoas! A conclusão é mais que esperada, e não surpreende: se é igual aos outros, também não se pode realizar. Omitem deliberadamente que os outros festivais foram cancelados por iniciativa livre dos seus promotores que, confrontados com as limitações impostas pela Direcção Geral de Saúde, entenderam não haver condições para garantir o retorno financeiro desejado.

O Primeiro Ministro sabe que enquanto se discute o”Avante!” passa ao lado o estado de calamidade de vidas desfeitas pelos abusos sobre a classe trabalhadora de patrões que, a coberto da pandemia, despedem sem justa causa, reduzem salários, aplicam o Lay Off, a torto e a direito – alguns continuam a laborar normalmente – e outros pagam apenas 60% do salário correspondente ao esforço financeiro disponibilizado pela Segurança Social adiando o pagamento da sua parte de responsabilidade!

Enquanto se discute o “Avante!”, esquecemo-nos que a oferta de transporte publico está deficitária, comprometendo a saúde de quem dele precisa e nunca abrandou a sua actividade laboral e, que, no caso concreto de Guimarães, foram suprimidas as ligações directas de comboio para quem se desloca para Lisboa obrigando a uma espera de duas horas no Porto.

Enquanto se discute se há ou não condições para salvaguardar a saúde no recinto da Festa, não se fala na liquidação de milhares de micro e pequenas empresas e na ruína de pequenos produtores agrícolas.
Enquanto se discutiu o acessório, passou ao lado o financiamento de 850 milhões de dinheiro publico para o Novo Banco!

Quanto ao “Avante!”, lá estarei em Setembro, sempre que puder.

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