O ESPETÁCULO TAUROMÁQUICO CUMPRE OS ATUAIS VALORES DA CIVILIZAÇÃO?

Por Eliseu Sampaio

Uma tourada em Coruche, no passado sábado, não acabou da melhor forma para dois forcados, dois cavaleiros e um cavalo colhido por um touro, que teve de ser abatido devido à gravidade dos ferimentos.

Esta questão das touradas, sendo complexa, mas cheia de episódios lamentáveis, não deve deixar de ser alvo de debate na sociedade portuguesa.

Em junho último, a associação ANIMAL entregou, uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos subscrita por mais de 22 mil pessoas a defender o fim dos subsídios públicos à tauromaquia. Uma das principais reclamações dos cidadãos é o facto de “o financiamento ser direcionado para uma atividade que não reúne consenso e que o sofrimento de animais não deve ser financiado por entidades públicas.

Do outro lado, os defensores da tauromaquia contrapõem com o fim de um “património cultural do país”, pelo desemprego que se geraria com o desaparecimento desta atividade, e pela extinção da raça taurina brava.

A questão das touradas, como as conhecemos, está ligada a um hábito que, nos tempos modernos, em que se pretende promover o bem-estar animal, parece estar cada vez mais vazio no conteúdo. No entanto, ainda estamos em tempo da transição, e de olhar para este fenómeno com os olhos que quem pretende ver renovada uma tradição.

Note-se que, desde 1840 que deixámos de matar o touro na arena, bastante antes de se proibir formal e definitivamente os touros de morte, em 1928. É salutar que se atualizem as tradições.

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