O REFÚGIO PARTIDÁRIO DOS REPETENTES

Por Paulo Emanuel Mendes

Vivemos tempos de criação de partidos, remodelações governamentais, eleições europeias e legislativas. Brevemente aparecerão novos cartazes, uns com candidatos repetentes outros com caras novas.

No meio desta turbulência partidária, entram pela caixa colorida slogans, promessas, discursos inflamados, debates enfadonhos e manobras baixas de notícias mediáticas que nem sempre se percebem quem servem… No entanto vamos conhecendo mais um pouco das profundezas das máquinas partidárias que promovem novos governantes que outrora foram promovidos pelos mesmos em Juventudes partidárias e fica a nu como é que as máquinas partidárias em Portugal continuam a não premiar o mérito dos seus militantes.

Este tipo de atitude dos líderes das máquinas partidárias só leva à descredibilização da Democracia perante a Comunidade.

Os responsáveis políticos do nosso país, sistematicamente nos deixam ficar mal numa perspetiva em que os “quadros” da sociedade civil ficam cada vez mais à parte da governação, passando a haver nestes 8 meses que faltam para as eleições legislativas, uma comissão eleitoral de governantes de uma escola pouco democrática chamada Juventude. Mas não é só na governação que este male situacionista persiste, na oposição temos também um partido dividido em dois e que pouco serve de alternativa.

Se então passarmos esta análise para a política local e mais precisamente para a política vimaranense, verificamos que o mérito fica ostracizado no baú partidário, da esquerda à direita, onde também aparecem candidatos com lugar cativo a presidentes de câmara…2 e 3 vezes consecutivas… No Burgo de Guimarães, premeia-se quem perde autarquias, candidatura a capitais verdes, etc… Os repetentes aparecem mais uma vez nos cartazes, na TV ao lado dos líderes mas continuam sem ganhar junto do povo….O que é os move? A manutenção da visibilidade e do cargo político.

Ponham os olhos em Braga….dizem eles…Ricardo Rio perdeu até ganhar….esquecendo-se que a excepção não faz a regra. Na lógica partidária vimaranense não faz sentido dar a vez a outro quando não se alcança o objectivo pretendido…pelo poder vale tudo…como se dar a oportunidade a um camarada de partido ou companheiro fosse uma atitude do mais anti-democrática que possa haver…sempre escudada de argumentos como a renovação da confiança na pessoa, a solidariedade, a camaradagem, etc….etc…

Afinal dar a entender que chegar a figurar no cartaz é difícil, é uma imagem que convém não passar para os eleitores.

Por vezes dá a sensação que possuir uma atitude desprendida de aparecer nos cartazes repetidamente de derrota em derrota não é uma atitude democrática, não é plural e não é inclusiva….haja paciência… O que acho sinceramente é que tal como é vedado aos políticos no poder renovarem o seu mandato 3 vezes (12 anos) , também deveria ser vedado aos políticos derrotados candidatarem-se mais do que 3 vezes ao mesmo cargo, dando a oportunidade a outros.

Mas infelizmente em Guimarães a realidade não é essa…tudo vale,e os “yes men” desde que sejam só isso, são intocáveis…não criam ondas mesmo que vejam o seu poder esvair-se para freguesias mais longínquas…. A democracia caciquista promove este tipo de situação que leva o eleitor a abstrair-se de como é que certo candidato chega a aparecer de forma cativa no cartaz todas as eleições.

A abertura dos partidos à sociedade é imprescindível para acabar com este monopólio dos mesmos aparecerem sempre no boletim de voto. A democracia participativa e as novas tecnologias estão ai para nos ajudar, porque não tirar vantagem delas?

Fica o desafio que deixo a todos os “destabilizadores” dos lugares cativos em Guimarães…

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