O VERÃO QUANDO NASCE É PARA TODOS

Por Ana Amélia Guimarães

O Verão entrou a medo, mas foi amistosamente festejado pela Ave (Associação Vimaranense para a Ecologia) no dia do solstício, na Penha. Desde 2013 que a AVE convida os seus associados e amigos para, em conjunto, com música e poesia, receberem o Verão.

Com o Verão surgem várias iniciativas quer na cidade quer nos concelhos vizinhos. São várias as ofertas, de feiras temáticas a concertos, festivais de todos os tipos para vários gostos e feitios, como se costuma dizer. Esta constatação que é genericamente positiva esbarra, no entanto, com uma dificuldade já antiga: a falta de transportes públicos que assegurem a democraticidade no acesso à cultura e ao lazer bem como a contribuição para uma maior participação e formação de público(s).

Os jovens (e não só) “livres” da escola querem “fazer parte”, mas nem todos podem. Como mãe de um filho adolescente constato que os transportes públicos que temos a servir o concelho (e o «quadrilátero», se quisermos ser mais ambiciosos, e devemos…) não correspondem às novas necessidades que a sazonalidade traz. Situação que diz respeito quer a nível inter concelhio (para Braga o último transporte é às 20h 05 e ao sábado às 19h 10, e de Braga para Guimarães o mesmo horário, semelhante para Famalicão) quer a nível estritamente local, em que se nota, claramente, que os horários não estão adaptados às iniciativas que aqui se realizam. Basta consultar a rede noturna dos TUG para perceber que ao fim-de-semana esta ainda acaba mais cedo (entre as 22h e as 23h).

A mobilidade é um direito dos cidadãos que a autarquia não pode continuar a ignorar. Já não chamo à argumentação o contributo que uma mobilidade eficaz tem para a construção de um concelho coeso, em que não haja vimaranenses de primeira e vimaranenses de segunda. O que se pede aqui é que pelo menos, no tempo de verão, a rede de transportes possa ser repensada (sobretudo ao nível dos horários) para que todos os vimaranenses sejam entendidos por igual e não, muitos, como excentricidades…

A bióloga do Laboratório da Paisagem em entrevista referiu a mobilidade como uma das causas da pegada ecológica. “Nós optamos pelo carro por causa do conforto. Vemos a preocupação do Município para estas causas, mas depende muita das pessoas. Gastamos cada vez mais rápido a biocapacidade do nosso planeta. Por isso, temos de comunicar com as pessoas para conseguir um impacto nas suas acções”.

É um facto que gastamos cada vez mais rápido a biocapacidade do nosso planeta e que o uso do carro tem de ser repensado. No entanto não basta a Câmara dizer que é preciso mudar atitudes e mentalidades, há sobretudo a necessidade de, em paralelo com o discurso, criar alternativas de mobilidade com horários funcionais e transportes públicos confortáveis, adaptados e amigos do ambiente.

Como é que isso se faz? Fazendo como o PCP, que fez aprovar um projecto de lei (PROJECTO DE LEI N.º 1244/XIII) que estabelece o regime de financiamento permanente do programa de apoio à redução tarifária nos transportes públicos. De facto, a redução dos preços nos transportes públicos e o alargamento do passe social, objetivos pelos quais o PCP se bateu durante mais de duas décadas, foi um avanço inigualável para a vida concreta das populações, na sua mobilidade, na sua qualidade de vida, com tarifários mais justos e acessíveis, beneficiando as crianças e jovens, os reformados, pensionistas e idosos. Assim se fazem as coisas.

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