O VERDE DA ESPERANÇA A QUEM PERTENCE, A QUEM PERTENCE…

O Moreirense celebrou o seu 80.º aniversário. Desde a interrupção da atividade desportiva e posterior “refundação”, passando pela perseverança de Domingos Dias e pela doação de terrenos de Joaquim Almeida Freitas, comendador que dá atualmente o nome ao estádio, o Mais Guimarães esteve à conversa com o sócio n.º 01 do clube, para viajar por histórias de outros tempos. Terminamos com os olhos agora postos na futura Vila Desportiva, aposta para a equipa principal e para o desenvolvimento da formação.

 

 

Há cinco épocas consecutivas a disputar o principal escalão do futebol nacional, o Moreirense celebrou na quinta-feira, 01, o 80.º aniversário. E se nas comemorações do 75.º aniversário Vítor Magalhães pedia a subida de divisão (que acabou por se verificar), este ano viu o clube alcançar um feito histórico: a vitória sobre o Benfica, em pleno Estádio da Luz.

“Um clube de trabalho, de humildade, de honestidade e de serenidade. Um clube que sabe estar e sabe receber, um clube que trata todos com respeito e de igual forma; um clube que não se envaidece com as conquistas e que não desiste nos momentos mais difíceis”, foi desta forma que Vítor Magalhães começou por descrever o Moreirense, em comunicado oficial divulgado na manhã do aniversário.

Como forma de brindar associados e adeptos, o clube disponibilizou novas imagens da Vila Desportiva, complexo que deverá entrar em fase de construção entre este mês de novembro e dezembro, segundo avança o Moreirense. Este será um espaço que os próprios consideram “de excelência” e que, mais do que servir a principal equipa, vai permitir uma forte aposta na formação.

“Estes 80 anos significam também o início de um novo caminho, um caminho de expansão e crescimento. O Moreirense iniciou recentemente o maior projeto da sua história com a criação de uma Vila Desportiva. A construção desta infraestrutura irá dotar o plantel profissional de condições de treino de excelência, mas não se fica por aí. A Vila Desportiva servirá também de apoio a todo o futebol de formação, catalisando assim ainda mais a formação, captação e descoberta de talentos”, referiu o presidente Vítor Magalhães.

Mas a história deste Moreirense não é linear e feita só de conquistas. Há, aliás, um facto que muitos adeptos de futebol podem desconhecer e que poderia, não fosse o empenho e esperança de um só homem, ter levado o clube por um caminho diferente. Na década de 40, a equipa deixou de competir. “No ano de 1941/42, sagra-se e afirma-se no panorama distrital, obtendo o título de campeão distrital da 2.ª Divisão e renova o feito em 1942/43. Apesar dos resultados promissores, o clube deixou de participar em competições oficiais, uma vez que o campo de futebol era alugado e deixou de haver condições para o utilizar. Subsistiu, na altura, o propósito de ainda unir o clube à agremiação vizinha de Vizela, mas a identidade e bairrismo do povo de Moreira de Cónegos não permitiu a fusão. O ‘pequenino mas valente’ Moreirense entra num sono profundo de cerca de duas décadas”, pode ler-se no livro publicado a propósito das bodas de diamante.

Para que este (2018) tenha sido o ano do 80.º aniversário, foi fundamental a perseverança de Domingos Dias que, ano após ano, inscreveu o clube na AF Braga. “Homem dotado de uma invulgar capacidade e sentido de organização, cujo rigor e método o impeliram – mesmo sem a motivação real de uma equipa de futebol capaz de agregar a população – a renovar, ano após ano, junto da Associação de Futebol de Braga, o sonho de um dia poder reanimar o emblema de Moreira de Cónegos”, foi revelado no livro.

Depois de uma “travessia no deserto”, o Moreirense voltou a erguer-se na época 1970/1971, sendo que a primeira subida aos nacionais aconteceu em 1978/1979, sob a presidência de Álvaro Vieira de Araújo.

Mas voltando à época de 1970/1971, altura da “refundação”, foi preparada durante cerca de dois anos, por um grupo de amigos que considerou ser altura de voltar a dar atividade ao clube. Entre eles estava Manuel Guimarães, atual sócio número 01 do Moreirense. “Éramos cerca de dez amigos e reuníamos no Café das Vinhas, em Moreira. Em 1970/1971 é organizada a primeira direção, com os elementos que faziam parte do grupo. Decidimos entre todos quem era o presidente e os restantes cargos. O presidente era o Dinis Eduardo Lemos Vitória Corais e eu, Manuel José Guimarães, fiquei como vice-presidente”, admitiu Manuel Guimarães. Dessa direção fez também parte, como secretário-geral, Domingos Dias, “um homem mais velho do que nós, já experiente e que já tinha feito parte do direção, em 1946”, explicou Manuel Guimarães. Domingos Dias, que de certa forma viveu para o clube, acabou por falecer do mesmo modo, enquanto assistia, em Delães, a mais uma partida da equipa.

Outro dos nomes importantes destes 80 anos de Moreirense é Joaquim de Almeida Freitas, o comendador que dá o nome ao estádio. Esse estádio, onde agora o conhecemos, teve os seus terrenos doados precisamente por Joaquim de Almeida Freitas, que contribuiu igualmente para a remodelação que foi feita mais tarde, com o incluir de bancadas, por exemplo. Desde aí, dessa remodelação, o espaço passou a ser designado Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas.

Sobre o percurso do emblema Cónego até este aniversário, Manuel Guimarães não tem dúvida que foi preenchido com momentos de alguma dificuldade: “O Moreirense sofre das dificuldades que sofrem os pequenos clubes deste país. E por um lado, às vezes é bom que sofra, porque quando sofre as pessoas ganham alguma consciência das dificuldades que existem. Tem de haver uma gestão muito cuidadosa e os clubes, e isso o Moreirense faz, devem ter uma escola de jogadores de onde possa sair produto para a equipa principal”.

Por isso mesmo, o projeto da Vila Desportiva e da aposta que o mesmo significa na formação parece importante a Manuel Guimarães. “Estou inteiramente de acordo, Deve haver uma academia onde não sejam só educados para o futebol, mas também para os estudos. Isso deve existir e ser conduzido com muito cuidado”, deixou claro. Ainda assim, Manuel Guimarães considera que os projetos devem ser adequados à dimensão do clube, com os pés assentes no chão e ficar-se pelo estritamente necessário. Por isso mesmo, deixa no ar a seguinte questão: “Não será demasiado?”.

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