Os anúncios

Por Mariana Silva, Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

Os anúncios são uma prática muito comum daqueles que nos querem suspensos na resolução dos problemas que enfrentamos no nosso dia-a-dia, na resolução de problemas que permitirão o desenvolvimento.

O anúncio no final de 2018 de que se estaria a trabalhar para sermos Capital Verde Europeia, que não desistiríamos apesar de termos ficado em 5º lugar levava-nos a acreditar que seria possível. Os passos tinham sido longos, a experiência ia com toda a certeza ajudar na concretização de uma grande candidatura e apesar de ainda estarmos a lamber as feridas, o anúncio do presidente da Câmara Municipal de Guimarães era pomposo, no grande auditório do Vila Flor com um conjunto de entidades unidas num mesmo objetivo.

O caminho seria longo, prometia, e assim foi, isso não podemos negar, o percurso foi tão longo que em 2021 percebe-se que o anúncio não passou disso mesmo, um anúncio. Depois de muito questionado pela CDU sobre esta possível candidatura, as respostas foram sempre evasivas. Entretanto, já com as eleições à porta lá vem o anúncio tão aguardado, feito nos primeiros dias de maio, de que a nova candidatura seria apresentada, por vontade do senhor presidente, em setembro de 2021. Não irá acontecer. Depois deste anúncio, outro anúncio, a candidatura que está a ser preparada pela Estrutura de Missão desde 2018, que na verdade é desde 2014, será entregue em 2022. Em 2025 Guimarães poderá ser Capital Verde Europeia.

Mais um anúncio, pois claro. A data foi alargada para que se possa dar cumprimento a mais um plano que está a ser elaborado o Plano de Defesa da Bacia Hidrográfica do Ave, que inclui o rio Vizela, envolvendo a Câmara de Guimarães, a Vimágua e a Águas do Norte.

Estamos perante mais uma promessa antiga, daqueles erros que se assumem quando na manga está um investimento de mais 50 milhões de euros para despoluir rios e ribeiros do Minho ao Algarve. Afinal o ministro do ambiente confirma que nada foi feito no rio Ave nos últimos 25 anos, e agora está prevista a despoluição de 40km. O facto do rio Ave ter 85 km é irrelevante. Despoluir 40 km é melhor do que não despoluir nada. Não é?

Não, não é. Quando existe um anúncio de uma praia fluvial para a freguesia de Caldelas, quando existe um anúncio da Ecovia do Ave nas margens do rio Ave, feito em janeiro de 2021.

E nesta senda de anúncios não podemos deixar para trás a mobilidade que continua em cima da mesa após dois mandatos, 8 anos de anúncios de projetos, de estudos e de um território que pouco se modificou, por isso, mantém as dificuldades nas opções que são oferecidas aos seus habitantes.

Continua a ser difícil a deslocação de transporte público dentro do concelho, e o que existe é a preço do ouro. Continua a ser difícil a ligação com os municípios vizinhos onde trabalham e estudam muitos vimaranenses, com quem o concelho partilha até um protocolo de acesso à cultura e desenvolvimento regional.

Apesar de se manterem estas dificuldades o anúncio é o da ligação ao TGV. Esta é a obra que deve unir os vimaranenses, os partidos da oposição, todos em conjunto devem lutar por esta ligação tão importante para o território.

Sem esquecermos o anúncio do Tramway do Quadrilátero Urbano, ideia de 2016 que uma vez por outra vê a luz do dia, mas não constado dos investimentos do PRR.

Anúncio atrás de anúncio as questões ambientais e a possibilidade de vivermos numa cidade sustentável não passam de promessas.

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