OS NOVOS UNIVERSITÁRIOS JÁ CHEGARAM A GUIMARÃES

Na Universidade do Minho, sobraram 49 vagas para a segunda fase de candidaturas ao ensino superior. No campus de Azurém, o curso com média mais alta foi o de Engenharia de Gestão Industrial. Para muitos, a universidade significa “autonomia e independência” longe de casa.

Antero é o primeiro filho de Inês Veloso a entrar na universidade. Escolheu Geografia e Planeamento como primeira opção e entrou. A mãe confessava-se “de coração apertado”: afinal, o novo estudante da Universidade do Minho (UM) vai passar a viver em Guimarães, deixando a casa dos pais em Celorico de Basto. Não será, de todo, o único: na fila que serpenteava, ao primeiro dia de inscrições, o átrio do Bloco A do campus de Azurém, havia casos semelhantes. Há quem venha para Guimarães estudar da Régua, da Madeira, de Braga ou de Santo Tirso. Na UM, só na primeira fase, entraram 2.820 estudantes — quer isto dizer que, das 2.869 disponíveis, sobram 49 vagas para as fases seguintes. A nível nacional, 44.500 estudantes ficaram colocados, um aumento de 502 em comparação com o ano passado. Concorram à primeira fase mais de 51 mil.

Os parcos lugares refletem a subida das médias na academia minhota, já que 75% dos cursos viram a última nota de entrada a ficar com valores mais altos comparando com o ano transato. É o caso de Medicina, que continua a ser a escolha com média mais elevada: na primeira fase de 2018, ficaram fixados os 18,05 valores; este ano, o número sobe para os 18,82 valores. A média de Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, lecionado no campus de Azurém, ficou pelos 17,5, uma pequena descida face aos 17,7 do ano passado. Já a terceira posição é de Engenharia Biomédica (a funcionar em Braga).

Nuno Moreira, de Famalicão, preferiu o Mestrado Integrado em Engenharia de Gestão de Sistemas Informáticos (MIEGSI). O nome comprido do curso não o assusta: “Escolhi porque permite uma junção entre economia, marketing e informática”, explicou. Contudo, não foi a sua primeira opção, mas isso não quer dizer que vá tentar mudar de ares na segunda fase para Engenharia Informática. Ao contrário de Antero Veloso, não ficará a viver em Guimarães, apesar de considerar que o ambiente da cidade “é bom para estudar”. Às 11h45 da segunda-feira passada, a fila para a inscrição na academia fluía, ainda que Nuno tenha chegado às imediações daquele campus pelas 10h30.

Num primeiro momento, naquele átrio, a Associação Académica da UM dava as boas-vindas aos caloiros. Um processo mais moroso viria a seguir, numa área da Escola de Ciências, onde estudantes mais velhos guiavam os novos alunos para a matrícula. “O processo tem melhorado”, apontou Rita Lopes, do 4.º ano de Engenharia de Polímeros. Vestia uma camisola bordô onde se lia “Embaixador UMinho” e guiava os estudantes, meio nervosos, para as etapas que se avizinhavam, com boletins de vacina, documentos pessoais, mensagens de confirmação a postos.

Um dia cheio para quem acabou de chegar à universidade

Mas havia quem já se sentisse cansado de uma manhã longa. Bruno Ribeiro, um dos caloiros de Engenharia Mecânica, lá ia repetindo: “Falta muito? Já estou cansado de cá estar.” Miriam Castro, nos bancos de espera para o preenchimento do cartão bancário associado à academia, exasperava diante de uma parede em mármore. “Estou farta de cá estar”, confessou. Entrou em Engenharia de Telecomunicações e Informática na UM “por ser perto de casa”, já que vem de Fafe. Ao seu lado, João Barbosa, referiu o cansaço, mas notava-se-lhe a alegria que um novo período na vida traz: o destino tem Design de Produto como nome do meio. O jovem, de Barcelos, ficará a residir em Guimarães e não tem encontrado casas abaixo dos 250 euros.

O mesmo apontou Mariana Clérigo, da Régua: “Já se sabe o que acontece quando há falta de oferta e muita procura… Os preços disparam. Vou pagar entre 250 e 300 euros, dependendo das contas.” A nova aluna de Design e Marketing de Moda espera conjugar os estudos com a vida académica de igual forma. Tal como Beatriz Sousa, que partiu da Madeira para Guimarães para cursar Arquitetura. “Já me senti mais excitada por sair de casa. Agora vai custar mais um pouco”, disse. Para a madeirense, “a melhor opção” será a residência de Azurém. De Guimarães nada conhece, mas não teme a descoberta que a “autonomia e liberdade” lhe poderão trazer.

Luís Gonçalves queria essa autonomia, mas escolheu fazer a viagem de comboio de Guimarães para Vila das Aves todos os dias. Entrou em Engenharia Eletrónica Industrial e Computadores “pela conexão que a universidade tem com algumas empresas”. Os exames correram-lhe bem e, por isso, não sentiu dificuldades quando chegou a altura de tomar uma escolha. Veio com os amigos José Pinheiro, da sua terra, e Leonardo Ferreira, de Santo Tirso, que também entraram na UM. O primeiro ingressou em Engenharia de Gestão de Sistemas Informáticos, mas não se tinha ainda cruzado com Nuno Moreira, futuro colega de curso. E o segundo, mais inclinado “para a Física”, foi colocado em Engenharia Mecânica — o mesmo curso em que Bruno Ribeiro ingressou, que já estaria a meio do processo de matrícula quando Leonardo falou ao Mais Guimarães. Luís espera ter uma boa experiência em Guimarães. Vieram de carro para o campus de Azurém e todos farão, a partir do início das aulas, a viagem de ida e volta entre Guimarães e Vila das Aves e Santo Tirso. “Poupa-se muito mais”, apontou Luís, convicto da sua escolha.

Dos jovens estudantes abordados, a maior parte escolheu um curso na UM como sua primeira opção. Beatriz Sousa queria ir para o Porto, mas disse não se arrepender do resultado das colocações. “Acho que pode ser uma boa cidade para se estudar e viver”, contou. Entre Braga e Guimarães, mais de 3.500 colocaram em primeira opção um curso na academia minhota. Os quase 3 mil que ficaram colocados poderão fazer a sua inscrição até sexta-feira, dia 13.

 

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