PEDRO NUNO SANTOS: “O ESTADO É UM INSTRUMENTO QUE NOS GARANTE LIBERDADE”

Decorreu na noite desta sexta-feira, 15 de março, a conferência-debate “O Presente e o Futuro da Democracia em Portugal e na Europa”, uma iniciativa da ASMAV, Associação de Socorros Mútuos Artística Vimaranense. O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, esteve em Guimarães para intervir no evento.

Pedro Nuno Santos abordou temas como a situação atual dos professores e dos enfermeiros, falando também sobre o Novo Banco. Para o representante do Governo, cooperação é a palavra-chave. “Vivemos numa sociedade em que a competição ganhou o principal motor de desenvolvimento. Tirar as melhores notas, ser melhor que o outro, ir para a melhor universidade, ter o melhor emprego, ganhar o melhor salário. É nesta angústia que o ser humano se vê envolvido. Esquecemos-nos que o motor principal devia ser a cooperação. Se conseguimos chegar até hoje foi porque cooperarmos, e não a competir. Achamos agora que esse é o estado natural. O estado é esse instrumento de cooperação. Tenho uma perspetiva comunitária da sociedade. Mas a perspetiva individualista venceu”, mencionou.

Sobre a ligação do Estado com a liberdade, Pedro Nuno Santos justificou que é o Estado que torna os cidadãos livres. “Um país sem Estado na saúde é um país que providencia cuidados só para alguns, para os que têm dinheiro. Somos livres se, numa situação de doença grave, não hipotecarmos o resto da vida. Qualquer um de nós quando tem um problema de saúde grave, uma despesa de milhares de euros, esse cidadão não fica no chão. Essa liberdade só é garantida pelo Estado. Liberdade é sermos tratados, independentemente da nossa condição financeira. O que o Estado garante na escola pública é que, independentemente de quem somos filhos, temos direito a uma formação de qualidade. Essa liberdade é o Estado que a garante. Só o sistema público de pensões garante a liberdade, depois de uma vida de trabalho podemos ter uma pensão, sem caridade de terceiros. Garante liberdade a quem trabalhou uma vida inteira. Ao contrário do que nos fizeram crer, o Estado não é um problema, é um instrumento que nos garante liberdade”, referiu.

“Temos professores, enfermeiros a exigir. A forma como estes trabalhadores foram sendo tratados ao longo dos anos têm consequências. Não são só reivindicações salariais, é quererem respeito. Infelizmente o país ainda não tem a capacidade económica que todos gostaríamos que tivesse”, mencionou acerca da situação, falando ainda da injeção de capital no Novo Banco, e a razão pela qual se decide investir nesse problema e não no daqueles profissionais. “A questão que se tem colocado é se podíamos fazer diferente. Infelizmente, não temos escolha. Não é um negócio como qualquer outro. A consequência para os portugueses seria catastrófica”, apontou.

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