Promovida pelo Município de Guimarães, com curadoria do MGA Project / Fuga Pela Escada, a mostra integra as comemorações do 3.º aniversário da extensão da Zona de Couros a Património Mundial da UNESCO e poderá ser visitada até 15 de novembro de 2026. A exposição propõe uma reflexão contemporânea sobre a Zona de Couros, território profundamente marcado pela atividade dos antigos curtumes e pela sua relevância histórica, social e patrimonial. A partir da ideia de “pele” enquanto superfície sensível, lugar de contacto e espaço de inscrição, os artistas exploram também a matéria que deu identidade à zona ao longo de séculos: o couro.
Segundo a organização, esta dupla dimensão – a pele enquanto corpo e enquanto matéria transformada pelo trabalho humano – serve de ponto de partida para uma abordagem artística que procura ativar as diferentes camadas de memória presentes neste território vimaranense. Durante décadas, a Zona de Couros foi palco de uma intensa atividade industrial, onde o conhecimento artesanal, os gestos repetidos e o esforço físico dos trabalhadores desempenharam um papel fundamental. Embora muitas dessas histórias tenham permanecido à margem dos registos oficiais, os seus vestígios continuam presentes na arquitetura, nos canais de água, nos tanques e em diversos elementos que resistiram à passagem do tempo.
É precisamente a partir desse património material e imaterial que Daniel Kickflip, Gonçalo Fontes e Soraia Oliveira desenvolvem as suas propostas artísticas. As obras apresentadas estabelecem relações entre corpo, matéria e espaço, recorrendo ao couro, a materiais industriais e a fragmentos arquitetónicos para construir novas leituras sobre a identidade e a memória da Zona de Couros.
Mais do que revisitar o passado, “Pela Pele da Cidade” procura reinterpretá-lo à luz do presente, convidando o público a descobrir novas narrativas sobre um dos territórios mais emblemáticos de Guimarães.
