PISCINAS VITÓRIA SC

A piscina do Vitória, hoje um espaço degradado a céu aberto, junto ao complexo desportivo, foi nas décadas de 70 e de 80 um ponto de referência no lazer dos vimaranenses, que frequentavam em massa o espaço de dimensões olímpicas. Passados muitos anos, restam as memórias da água, das pranchas, das bancadas e da relva que dois vimaranenses partilharam com o Mais Guimarães.

Inaugurada a 01 de setembro de 1973, após ter sido construída num terreno então pertencente à sociedade de empreendimentos Unidade, ligada à associação cívica Unidade Vimaranense, a piscina do Vitória, com 50 metros de comprimento e cerca de cinco metros de profundidade máxima, acolheu gerações de habitantes do concelho que ali tanto viveram momentos de prazer, seja a nadar, a mergulhar ou a estender a toalha ao Sol.

Aquele tanque de dimensões olímpicas foi um local de referência da adolescência de Rui Abreu, que, no início dos anos 80, rumava lá frequentemente a partir da primavera, com os amigos da Rua D. João I. Os “ótimos momentos” lá vividos perdem-se no tempo, mas as imagens da água, das espreguiçadeiras e das bancadas, bem como da multidão perduram.

“Toda a gente da cidade, na altura, frequentava. Havia grande concentração de pessoas ao domingo. Raramente fui lá ao domingo. Íamos mais à semana”, disse, lembrando o “medo terrível” que sentiu quando saltou pela primeira vez da prancha e da “rivalidade” entre os amigos para ver “quem ia ao fundo”, algo que resultava sempre em “olhos completamente vermelhos” devido ao cloro da água e em “tímpanos” que pareciam rebentar, porque a “profundidade era muito grande”.

A piscina vitoriana, como muitas outras, apresentava um fundo inclinado, com “o lado mais baixo e o lado mais alto”, recordou Rosa Lima, também utilizadora habitual do espaço que “enchia frequentemente”, com uma “lotação”, que “parecia de formigas”, “de tanta gente que lá estava”.

O espaço “enchia frequentemente”, com uma “lotação”, que “parecia de formigas”, “de tanta gente que lá estava”, Rosa Lima

Sócia do Vitória na altura, entrava, enquanto adulta, com o pagamento de apenas “meio bilhete” para passar manhãs e tardes que incluíam “farnel” num lugar que recorda com saudade, com um extenso “relvado para as pessoas estarem e estenderem a toalha” e “as bancadas, de onde era bonito ver as piscinas”. Vincou ainda que, desde a abertura da piscina, não frequentou outra, até porque “era mais barata do que as das redondezas”.

O baixo custo da piscina, em comparação com a das Taipas, levava igualmente Rui Abreu a ser um utilizador assíduo, bem como os “croissants excelentes” que existiam no bar e que provocavam ainda mais apetite, após o tempo que passava na água.

As memórias, porém, não se cingem aos vários recantos da piscina, estendendo-se às pessoas que ‘mobilavam’ o local, nomeadamente o nadador-salvador Jonas, que ali ensinou muita gente a nadar.

“Era uma figura muito característica, porque usava um boné de marinheiro e tinha uma tatuagem da cara de uma mulher num tempo em que ninguém tinha tatuagens”, disse, mencionando que a sua própria aprendizagem a nadar ocorreu através do “desenrasque” com os seus amigos em tempos ainda áureos para aquele tanque.

 

Rosa Lima não recordou exatamente a data em que as piscinas vitorianas se começaram a deteriorar, mas manteve as imagens desse tempo bem vívidas na sua memória.

“O relvado começou a estragar-se, as pessoas começaram a reclamar, e a situação degradou-se até fechar”, contou, demonstrando não conhecer as razões que levaram ao encerramento, apesar de ter ouvido que o principal motivo se prendeu com a elevada despesa.

Também Rui Abreu, apesar de nunca ter estado a par da gestão, considerou que os “custos de manutenção” deveriam ser muito elevados, pelo tamanho da piscina e também pela contingência de estar apenas aberta por cerca de dois meses durante o ano.

“Penso que foi por ter pouca utilização ou menos do que a devida. Não sei se era pelo processo de passar o inverno fechado, sem qualquer tipo de condições. Aquilo não foi atualizado. A gente começou a ir para a Póvoa, porque havia piscinas muito boas, com pranchas maiores”, recordou, vincando que não havia maneira daquilo ser “rentável”.

A “pouca frequência”, acompanhada da falta de “atualizações de preços”, levaram ao fecho das piscinas, nos anos 90, embora Rui Abreu tenha garantido que já “houve várias intenções de reativar aquilo”, todas mal sucedidas.

Uma das tentativas para reativar o espaço surgiu de um projeto apresentado em 2010, pela direção do Vitória, então liderada por Emílio Macedo, que visava a construção de dois pavilhões e uma piscina coberta, mas a Câmara Municipal chumbou a intenção, justificando a decisão com um parecer técnico que se opunha a elevada volumetria dos edifícios em comparação com o espaço envolvente e ao corte de árvores numa zona contígua ao Parque da Cidade.

A velha piscina do Vitória, mais decrépita de dia para dia, leva já décadas ‘enjaulada’, bem longe da vida humana que outrora se manifestou nas águas, na relva e nas bancadas.

©2020 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?