“QUE DANCEM E QUE TOQUEM”. NO ARRANQUE DO NATAL VIMARANENSE, TODOS OS CAMINHOS FORAM DAR AO TOURAL

Centenas de pessoas saíram à rua para o arranque oficial do programa “Guimarães, Cidade Natal”. Portugueses, vimaranenses e turistas encheram o Largo do Toural e a Alameda de S. Dâmaso.

© Mais Guimarães

Maria Fernanda está sentada à porta da mercearia que tem no Largo da Oliveira. Há cor nas paletes de fruta que tem à entrada e, durante alguns instantes, também houve música à porta de loja. É que o dia 7 de dezembro marcou o arranque do “Guimarães, Cidade Natal”. Para marcar a data, dezenas de figurantes, crianças e músicos calcorrearam as ruas do centro histórico. Começaram no Largo dos Laranjais e desaguaram no Toural, perto de uma hora depois, para assistir ao espectáculo de luzes e música.

“Daqui, deste sítio, já vi muitos Natais”, recorda Maria Fernanda, enquanto se ampara na bengala. “Gosto destas iniciativas. Gosto de tudo: que dancem, que toquem; às vezes ainda ajudo”, atira, num tom jocoso. O cortejo passou, já vai longe. Os 90 anos da vimaranense recordam tempos melhores para o comércio, outros piores. Não guarda grandes expetativas para este ano: “Os Natais costumam ser como o resto do ano: mais fracos. Está mau. Os turistas pouco compram. Vamos ver o negócio que vamos fazer.” Mas não desanima. De dentro da mercearia, a sobrinha complementa: “A cidade está cheia o ano todo. As lojas e os hotéis têm estado cheios. As pessoas adoram a cidade”. Ambas elogiam o papel da autarquia, que “tem feito o que pode pelo comércio local.”

Na rua da mercearia, o fluxo é só de um sentido. Os transeuntes vão descendo em direção ao Toural. Pelas 18h00 está previsto o espetáculo da Árvore de Natal e ainda o espetáculo de som e luz na Alameda de São Dâmaso, numa das novidades para a edição deste ano. Vamos com eles. Maria Fernanda só não vem porque “as pernas não ajudam”. Também não vai poder visitar o Mercado de Natal, que abriu oficialmente neste sábado, embora já tenha visto outros, noutros anos.

Um alcaide galego que gosta de luzes

No Toural, o relógio da Basílica de São Pedro aponta para as 17:50. Centenas de pessoas rodeiam a Árvore. De telemóvel em riste, esperam o momento. “Está bué de gente”, ia-se comentando. As pessoas procuravam o melhor local para assistir ao espetáculo. O sino ainda não gritou a hora certa, mas Carlos Nave vai olhando para o relógio. “Estou com pressa. Sabe quando começa?”, questiona. Os poucos minutos que ainda restam dão a Carlos a oportunidade de elogiar a cidade e o evento: “Estou a ver muita gente aqui. Só em só grandes festas como as Nicolinas ou Gualterianas é que vejo as ruas com tanta gente. A cidade já é muito bonita e assim ainda fica mais”. Já deu um salto ao Mercado de Natal. Para Carlos é uma ideia interessante já que as pessoas “quando vêm a uma cidade gostam de levar recordações” e as dezenas de barraquinhas presentes na Alameda de S. Dâmaso podem contribuir para isso.

Diego Lourenzo e a família também estão à espera do que vai acontecer ali. São de Vigo e estão de passagem por Guimarães. Chegaram neste sábado, vão dormir na cidade e seguem viagem no domingo. “Levamos uma grande surpresa”, confessa. Foi “arrastado” pela multidão para o Largo do Toural. Não sabe bem o que vai acontecer, mas supõe que tenha que ver com luzes. Diego fala por experiência. Lembra o alcaide de Vigo (Abel Carballo) “que aposta muito no Natal” – a cidade galega é notícia em Espanha porque vai ter 10 milhões de luzes LED nas ruas e 2 700 arcos.

O espetáculo que Diego viu não deve ter feito jus ao que está habituado. É que um problema técnico não permitiu a junção entre som e luz. No entanto, centenas de telemóveis estavam em riste para captar o momento. Minutos depois, a multidão espalhou-se, alguns mantinham-se por perto para a fotografia, mas a maioria que desertou foi para perto. O Mercado de Natal era o próximo atrativo e foi para lá que se dirigiram as pessoas.

Na Alameda de S. Dâmaso era um vaivém de interessados. Muitos a espreitar, alguns a comprar. As dezenas de barraquinhas pareciam não ter razão de queixa no primeiro dia da “Cidade Natal”. Manuela Sampaio veio do Porto. Vende pela primeira vez em Guimarães e a barraca destaca-se pela cor. Vende marionetas em pasta de papel. “Para o primeiro dia está mais ou menos. Guimarães tem um bom público, um público acessível”. Está a gostar do que está a ver, mas deixa um reparo: “As bancas são um pouco repetitivas. Há muitas com presépios, por exemplo”.

Um povo acessível

Alguns stands ao lado, numa zona mais isolada, está Cátia Fernandes. Aplaude a CM pela iniciativa. “Está bastante bonito, está muita gente. Não sei se foi devido ao espetáculo de luzes, mas a rua tem bastante movimento”, vinca. É de Braga e, tal como Manuela, está a vender em Guimarães pela primeira vez. Na banca há jóias artesanais.

“Já participei noutros mercados. E este tem um ponto positivo. Aposta muito no artesanato. É uma mais-valia. Ainda estamos a começar. Já vendi em Braga na altura do Natal, mas não tinha o apoio da Câmara. Não havia uma seleção dos participantes”, comenta.

O Mercado de Natal está aberto até dia 24 de dezembro. Há 30 barracas para conhecer.

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