Ricardo Lemos: “Eles não querem abdicar de dois lugares no executivo”

Este é o “momento certo de juntar pessoas e esquecer partidos, interesses instalados, ou lugares prometidos”, disse ao Mais Guimarães Ricardo Lemos, o socialista que foi candidato à junta de freguesia de Selho S. Jorge, sobre o impasse que se vive na eleição do executivo daquela junta.

Contactado pelo Mais Guimarães, António Ribeiro, presidente da junta de freguesia de Selho São Jorge diz que, em primeiro lugar, quer falar aos pevidenses, emitindo um comunicado até ao final da semana. Mostrou-se “triste” e diz que “ninguém está preocupado com Pevidém”.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Na noite desta segunda-feira, dia 20, a proposta de executivo apresentada por António Ribeiro, que venceu as eleições pelas cores da coligação Juntos por Guimarães (com 43% dos votos), e que continha elementos “apenas da sua lista”, foi recusada pelos eleitos do PS e da CDU. Esta era uma derrota anunciada, já que na primeira tentativa, a lista apresentada em outubro, e também só com elementos da coligação JpG foi também recusada pela oposição.

Esta é uma situação que pode arrastar-se pelos próximos quatro anos, porque “a lei é ambígua, não define, não especifica”, diz Ricardo Lemos. Atualmente, a junta de freguesia está a funcionar com o executivo anterior e com o presidente atual, estando limitada a sua atividade a duodécimos, ao “orçamento do ano passado, o que limita o investimento e a ação na vila”, diz também o socialista.

Quanto ao chumbo do executivo, Ricardo Lemos afirma que, entre a primeira e a segunda assembleias aconteceram “algumas negociações” tripartidas mas “não se chegou a bom porto”.

Numa das reuniões, adianta, o acordado era o executivo conter um membro do PS, Ricardo Lemos, que assumiria o cargo de secretário da junta, um lugar para a CDU, Nuno Rego, como vogal, e os restantes para membros da coligação Juntos por Guimarães. O atual presidente “manteria a maioria no executivo e o PS e CDU com um elemento, e haveria paz política em Pevidém”, diz Ricardo Lemos. Essa solução não terá avançado porque António Ribeiro “ficou de conversar com a equipa dele, que não concordou”.

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Ricardo Lemos quer ver representada no executivo a votação nas eleições, lembrando que “se somarmos os votos do PS com os votos da CDU, temos mais votos que eles (CJpG). Se houvessem geringonças nas juntas de freguesia aqui seria possível, embora também não concorde que haja”.

O candidato socialista lembra também que a história de Pevidém, “conta-nos todas as soluções possíveis”, e que o PS sempre facilitou e ajudou, quer na viabilização dos executivos da CDU (de Balbina Pimenta), quer no executivo do PSD, (de Angelino Salazar), presidente da junta entre 2013 e 2021, e “perdeu sempre” quando deu esse apoio.

Lembra ainda a presidência do socialista Casimiro Pereira, que foi presidente de junta “há mais de 20 anos” e que, numa altura em que apenas três pessoas compunham o executivo, tinha um elemento do PSD e outro da CDU e ele como presidente. “Fez isso durante vários mandatos e correu lindamente. Foi o presidente que mais trabalhou para Pevidém” destaca Ricardo Lemos.

Nestas eleições, de setembro último, o candidato diz que duplicou a votação conseguida em 2013, e que a coligação, ao “não ganhar com maioria absoluta não lhe dá o direito de ficar com todo o executivo, com todos os órgãos da junta de freguesia”.

“É o momento certo para se apostar na terra, lutar pelo bem comum e colocar os partidos e grupos de lado. Mas eles não querem abdicar de dois lugares no executivo”

Ricardo Lemos

Ricardo Lemos considera a situação “preocupante” porque “vamos ter oito anos muito importantes para o desenvolvimento da vila, os últimos quatro de Domingos Bragança “um amigo da terra” na Câmara Municipal, e os primeiros quatro anos do próximo presidente. Ou nós entramos no comboio de investimentos para Pevidém, ou somos relegados para último, porque não há executivo, não há acordos, não há consensos , e há picardias”.

Confrontado com a posição assumida anteriormente por António Ribeiro, de não querer no executivo os cabeças de lista nas últimas autárquicas, Ricardo Lemos assegura que, se fizesse parte deste executivo não seria candidato em 2025. “Obviamente que não. Não faria sentido eu fazer parte de um executivo e em 2025 candidatar-me contra quem estive a trabalhar”, afirmou, acrescentando que “essas propostas têm que vir para cima da mesa”.

Defendendo a sua posição, Ricardo Lemos diz que “se as pessoas confiaram em nós, temos que lutar naquilo em que acreditamos, temos que negociar o orçamento e os projetos que vão ser feitos na vila nos próximos quatro anos. Nós não estamos interessados em lugares, queremos saber a realidade da terra e ajudar a construir”.

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