O programa do dia incluiu cinco paragens: às 10h00, a Universidade do Minho, no campus de Azurém; às 11h00, o Laboratório da Paisagem; às 15h00, a Fábrica do Alto, em Pevidém; às 16h00, a Fábrica do Arquinho; e, às 17h00, um ponto de imprensa. No final do roteiro, o presidente da CCDR Norte, Álvaro Santos, fez um balanço positivo da passagem por Guimarães. “Este roteiro da inovação aqui em Guimarães revelou-se particularmente frutuoso e muito interessante”, afirmou, sublinhando que teve oportunidade de observar algumas das obras financiadas pela CCDR Norte.
Segundo Álvaro Santos, o Norte 2030 apoia atualmente 90 projetos no concelho de Guimarães, dos quais 45 são de âmbito público e 45 de âmbito privado. No total, representam cerca de 113 milhões de euros de investimento, dos quais aproximadamente 61 milhões de euros correspondem a fundos comunitários alocados. O responsável da CCDR Norte destacou a diversidade dos investimentos, com uma perspetiva integrada em áreas como a regeneração urbana, a sustentabilidade, o conhecimento e a inovação. Sobre a componente de sustentabilidade, elogiou o trabalho do Laboratório da Paisagem, visitado durante a manhã, classificando o seu trabalho como “excecional” e “pioneiro em termos nacionais”. Na área do conhecimento, destacou a visita ao campus de Azurém da Universidade do Minho, onde a comitiva viu projetos já concluídos e outros ainda em execução.
Para Álvaro Santos, um dos principais desafios passa por aproximar o conhecimento produzido pelas universidades e centros de investigação das empresas. “Estamos perfeitamente alinhados com o município para conseguirmos alcançar um desafio que é muito importante para nós, para a região, e creio que também para o município: fortalecer a ligação entre o nosso ecossistema de inovação e a economia real”, afirmou, considerando esta ligação essencial para aumentar o valor acrescentado dos produtos desenvolvidos na região, reforçar a capacidade exportadora e melhorar os rendimentos da população.
O presidente da CCDR Norte foi mais longe e classificou o município de Guimarães, tanto na componente pública como na privada, como “um excelente modelo”. “Deixa me dizer que o município de Guimarães no seu todo, quer a componente pública, quer a componente privada, é um excelente modelo. Aliás, eu o classificaria como um bom aluno, uma cidade e um município que sabe aplicar muito bem os seus fundos comunitários. Isto também é um exemplo para outras cidades e outros municípios da nossa região Norte”, afirmou.
Álvaro Santos revelou ainda que, durante a visita, houve também uma reunião de trabalho com o executivo municipal, liderado por Ricardo Araújo, onde foi feito um balanço dos projetos em curso e concluídos, mas também uma perspetiva sobre as ambições do município para os próximos tempos. Referiu que a região Norte foi a primeira do país a lançar o processo de reflexão estratégica para o próximo ciclo de fundos comunitários, o Norte 2040 (2028 2034), e que Guimarães “já tem boa parte do seu trabalho de casa feito” para poder captar financiamento assim que haja oportunidade, no atual ou no próximo quadro comunitário. Destacou ainda que este novo período de programação vai contar com o Fundo Europeu para a Competitividade, com mais de 400 mil milhões de euros a nível europeu, onde as universidades e centros tecnológicos da região podem e devem concorrer diretamente com os melhores da Europa.
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, agradeceu a inclusão de Guimarães neste roteiro. Segundo o próprio, o município apresentou o seu Plano para o Desenvolvimento Económico e a Estratégia para o Desenvolvimento e para a Inovação, garantindo que a autarquia está “completamente alinhada” com a estratégia regional e já está a preparar-se para o Norte 2040. “Nós sabemos bem aquilo que queremos”, afirmou, reforçando que pretende que “Guimarães seja berço da nação, mas seja também berço da inovação”.
Ricardo Araújo destacou ainda o trabalho desenvolvido pelos serviços municipais para cumprir os objetivos associados aos investimentos comunitários, no âmbito do PRR e do PT 2030. “Fizemos um esforço muito grande com os nossos serviços municipais para conseguirmos cumprir com algumas das metas, ou com grande parte das metas que tínhamos”, afirmou, referindo-se em particular às obras do PRR, que a autarquia herdou todas fora do prazo exigido.
Sobre a Fábrica do Arquinho, futuro centro de investigação e desenvolvimento na área aeroespacial, Araújo explicou que a obra sofreu alguns atrasos relacionados com trabalhos arqueológicos, uma vez que se situa numa zona de proteção do centro histórico, zona classificada que exige cuidados adicionais. A meta atual aponta para a conclusão da obra até ao final de 2027. Já a Fábrica do Alto, em Pevidém, onde está a ser implementada a primeira fábrica de satélites óticos em Portugal, tem um prazo mais alargado, entre 2027 e 2028, mas Araújo garantiu que “está a avançar bem”.
O autarca aproveitou ainda para apresentar outros projetos ao presidente da CCDR Norte, entre os quais a reabilitação do Jardim/Parque D. Afonso, como legado da Capital Verde Europeia, o projeto CREATE em Guimarães, um “interface dos interfaces” em colaboração com a Universidade do Minho, e o novo Plano Diretor Municipal, que prevê uma subida de mais de 60% nas áreas de acolhimento empresarial face ao inicialmente previsto.
Os projetos Norte 2030 visitados
Na Universidade do Minho, foram apresentados dois projetos financiados pelo Norte 2030: o desenvolvimento de painéis pré fabricados com gradação funcional e mecânica para uma reabilitação mais eficiente e sustentável do ambiente construído, com um investimento de 791.689,15 euros e apoio da União Europeia de 672.935,78 euros; e um projeto de fabricação orientada para resiliência e modularidade arquitetónica, com investimento de 705.871,85 euros e apoio comunitário de 568.756,17 euros.
Na Fábrica do Alto, em Pevidém, foi apresentada a Academia de Transformação Digital, cujo beneficiário é o CEiiA, ainda sem valor de investimento definido.
Na Fábrica do Arquinho, o projeto em destaque é a reabilitação do edifício para instalação do TECH G, Centro de Investigação Aeroespacial e Fibrenamics, com o Município de Guimarães como beneficiário. O investimento total é de 14,90 milhões de euros, com apoio da União Europeia de 11,26 milhões de euros. A antiga unidade fabril, com origem no início do século XX, vai transformar se num centro de investigação de 6.644 m² de área de construção (face aos atuais 4.183 m²), dos quais 3.006 m² destinados ao Centro de Investigação Aeroespacial e 2.468 m² à Fibrenamics, com 1.250 m² de espaços comuns. A intervenção preserva a chaminé como símbolo da herança industrial e vence um desnível de 10 metros através de uma nova ligação pública entre norte e sul do terreno.
