Questionado sobre a mensagem que deixaria aos sócios neste aniversário, Rui Rodrigues começou por sublinhar o significado simbólico da data: “Antes de mais, é um orgulho imenso, eu e a minha equipa, estarmos neste momento do aniversário do Vitória. Relativamente à mensagem, o mais importante e aquilo que nós também queremos focar é honrar todas aquelas gerações que ajudaram a construir o Vitória, sobretudo aqueles que ajudaram a criar os nossos valores, a nossa cultura, a nossa identidade, a nossa mística. Para nós, o mais importante neste aniversário é realçar todas aquelas décadas que nos ajudaram a ser o que somos hoje.”
Sobre as dificuldades sentidas desde que assumiu a presidência, o dirigente apontou a reorganização interna do clube como prioridade número um: “O primeiro objetivo que nós tínhamos era tentar reabilitar o clube estruturalmente. É algo que nós estamos a tentar fazer. Na nossa campanha eleitoral, nós focámos muito naquilo que é a humanização. Sentíamos que internamente não estava a existir isso. Criaram-se aqui relações frias entre as estruturas dentro do clube, essa é uma das principais resistências que nós tínhamos e que estamos a tentar desbloquear. Está aqui a prova disso neste aniversário, já vemos aqui uma moldura de trabalhadores imbuídos no mesmo espírito, acreditam tanto como nós acreditamos. Os desafios são constantes, mas o primeiro é a união que nós temos e aquilo que estamos a criar.”
Questionado sobre os próximos passos para consolidar esse trabalho, Rui Rodrigues insistiu na necessidade de coesão interna como base para pedir apoio externo: “Toda a gente tem de estar imbuída no mesmo espírito, acreditar naquilo que são os processos, aquilo que são as nossas ideias, aquilo que queremos para o Vitória. O que é factual é que a estabilidade é fundamental. Por isso é que nós temos que ter aqui uma capacidade de decisão que nos dê essa tranquilidade. As pessoas começam a perceber quais são as nossas dinâmicas, a exigência que temos de ter aqui dentro. Toda a gente aqui tem que criar valor para que o Vitória seja um clube maior. Depois, podemos ir para o exterior e pedir lá fora que nos deem também o apoio que tem que ser dado. Evidentemente que a pressão nós sabemos que existe, por isso é que somos um clube grande. Temos que saber aceitar e digerir. A frustração dos adeptos é a nossa frustração e estamos com a vontade toda de dar a volta por cima.”
Já sobre o arranque de temporada da equipa principal, e confrontado com a possibilidade de este ficar aquém das expectativas, o presidente reconheceu alguma desproporção entre o desempenho em campo e os resultados: “A classificação não coaduna com aquilo que nós temos demonstrado nestas primeiras sete jornadas. Evidentemente que o que conta é a bola entrar e, nesse sentido, temos que trabalhar mais afincadamente no dia-a-dia para que isso aconteça. Acho que é um bocado frustrante. Aquilo que temos feito não corresponde com a nossa posição na tabela classificativa. Contudo, internamente, acreditamos muito nos jogadores, acreditamos muito no treinador, acreditamos muito no trabalho que estamos a fazer internamente. O mister, na conferência de imprensa, também acabou por dizer, estamos muito unidos e estamos imbuídos neste momento difícil. O Vitória também é isto, é resiliência, resistência, não podemos olhar para isto só para o momento, isto é todo um processo. Estamos unidos e estamos com toda a vontade de dar a volta à situação.”
Por fim, ao ser questionado sobre a gestão do mercado de transferências, num verão em que assumiu funções já com a janela a decorrer, Rui Rodrigues admitiu as limitações de partida, mas garantiu que as decisões foram sempre coletivas: “Evidentemente que não é fácil entrar quase no início do mês de Julho para tomar decisões, sobretudo daquilo que é a constituição de uma equipa. Não é fácil. Entrámos com zero aqui dentro daquilo que poderia ser uma estrutura de scouting. Não tínhamos. Toda a estrutura que existia de estratégia do futebol saiu do Vitória. O clube ficou órfão daquilo que era a estratégia para o futebol. Tentámos fazer o máximo possível. A única coisa que vos posso dizer é que tudo aquilo que foi feito em termos de entradas foram entradas em que vários setores do Vitória tiveram a sua opinião e tiveram a sua decisão. Não foram decisões tidas isoladas ou individualizadas pelo Fernando ou por mim. Todos tiveram a sua opinião naquilo que foram as entradas dos reforços. Relativamente às saídas, evidentemente que também nós, sobretudo o Fernando Meira, tivemos aqui um papel muito importante naquilo que foram algumas saídas no final do mercado. Sentimo-nos um pouco frustrados porque havia mais duas ou três saídas que poderiam ser concretizadas, não conseguimos que se concretizassem por questões que nos ultrapassam. Entramos num momento da época muito, muito difícil mas temos que avançar.”
