“Acreditamos profundamente no potencial do Vitória Sport Clube. Acreditamos num clube mais forte desportivamente, mais sólido financeiramente, mais moderno na sua organização e, acima de tudo, mais unido, próximo e humano. Um clube onde cada sócio, adepto, atleta, colaborador e família vitoriana sinta que faz parte de algo maior”, afirmou Rui Rodrigues no arranque do discurso.
Sob o lema da união e da construção coletiva, o candidato defendeu uma liderança baseada no profissionalismo, na competência e na valorização das pessoas. “Esta candidatura nasce de um sentido de dever e de responsabilidade perante o futuro do clube. Queremos um Vitória moderno e competitivo, preparado para o futuro, mas sem nunca perder a sua identidade, os seus valores e a sua alma”, destacou.
Reestruturação financeira como prioridade
Uma das principais preocupações assumidas por Rui Rodrigues prende-se com a situação financeira da SAD. O candidato garantiu que o crescimento do clube terá de ser sustentado por uma gestão rigorosa e equilibrada. “O Vitória deve crescer com ambição e visão, mas nunca à margem do equilíbrio que garante o seu futuro. A sustentabilidade financeira não é um travão ao crescimento: é a sua condição essencial”, sublinhou.
© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
Entre as medidas previstas está a reestruturação do passivo de curto prazo, apontada como um dos desafios mais urgentes. Segundo Rui Rodrigues, “a pressão da dívida corrente sobre a tesouraria limita o investimento, condiciona decisões desportivas e fragiliza a posição negocial do Vitória perante parceiros e credores”.
O plano financeiro da candidatura assenta em três pilares: controlo rigoroso dos compromissos financeiros, renegociação da dívida para prazos mais alargados e disciplina orçamental permanente, com monitorização contínua da tesouraria. “O objetivo é transformar a estrutura financeira do clube para que nunca mais esteja refém das urgências do curto prazo”, vincou.
O candidato defendeu ainda a necessidade de aumentar as receitas próprias do clube, reduzindo a dependência da venda de jogadores para equilibrar as contas anuais.
V Sports chamada a assumir papel mais ativo
Outro dos pontos centrais da intervenção foi a relação com a V Sports, acionista de referência da SAD. Rui Rodrigues reconheceu a importância da parceria, mas manifestou a intenção de aprofundar o seu envolvimento estratégico.
© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
“Queremos uma V Sports mais participativa — não apenas como parceira, mas como verdadeiro parceiro estratégico na ambição do Vitória. Uma parceria que se traduza em envolvimento real nas decisões estratégicas, em sinergias concretas e num compromisso partilhado com os objetivos desportivos do clube”, afirmou.
Academia ganha novo impulso
Durante a apresentação, Rui Rodrigues revelou também novidades sobre o projeto da futura Academia, um dos dossiês mais aguardados pelos adeptos vitorianos.
Segundo explicou, o município deverá incluir no próximo orçamento uma verba destinada à expropriação dos terrenos necessários para a construção da infraestrutura, que posteriormente serão cedidos ao clube. “É um passo histórico, que reconhece a importância do clube para a cidade e para a região, e que abre finalmente a porta a uma infraestrutura que transformará a formação vitoriana”, referiu.
O candidato pretende ainda envolver a V Sports no desenvolvimento do projeto, considerando que a Academia deverá tornar-se “o símbolo mais concreto do Vitória que queremos construir”.
Modelo desportivo assente na formação e na estabilidade
No capítulo desportivo, Rui Rodrigues defendeu a criação de uma identidade de jogo transversal a todos os escalões e uma maior ligação entre a formação e a equipa principal. “Queremos um Vitória que não reaja às circunstâncias, mas que as antecipe. A inteligência no futebol exige uma ideia clara de jogo, reconhecível em todos os escalões”, afirmou.
© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
O candidato sublinhou a importância de uma estrutura técnica alinhada entre direção desportiva, equipa técnica, scouting, formação e gestão financeira, garantindo que “a ambição desportiva e a responsabilidade financeira caminham juntas”.
Quanto à Equipa B, garantiu que continuará a desempenhar um papel central na transição dos jovens jogadores para o futebol profissional. “Não será uma zona de espera, mas o último degrau antes da chegada à equipa principal”, referiu.
O objetivo desportivo foi igualmente assumido sem ambiguidades: “Competir pela excelência e afirmar presença regular nas competições europeias. Não como exceção, mas como ambição recorrente.”
Gil Lameiras e contas do clube em destaque
Já no final da sessão, Rui Rodrigues respondeu a várias questões dos jornalistas. Confrontado com a possibilidade de manter Gil Lameiras como treinador principal caso seja eleito presidente, optou pela prudência. “O Gil Lameiras é treinador do Vitória. Se vencer as eleições teremos de falar com ele”, afirmou.
© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
Sobre os números do passivo que têm sido apontados publicamente, o candidato rejeitou os valores avançados nas últimas semanas. “Os números que se falam por aí não são reais. Já temos previsões daquilo que será o fecho do resultado. A única coisa que posso confirmar é que não se coaduna com os valores que são falados. Esqueçam os três dígitos, esqueçam os 90 milhões, esqueçam os 80 milhões”, assegurou.
A candidatura de Rui Rodrigues entra assim oficialmente na corrida eleitoral do Vitória Sport Clube. As eleições acontecem a 13 de junho.
