S. GUALTER É ONDE A CÂMARA QUISER

por ANTÓNIO ROCHA E COSTA
Analista clínico

A expressão “pão e circo”, tão cara aos antigos romanos, ganha especial relevância na estação do Verão, com a proliferação de festas, romarias, arraiais, festivais de música e tudo o que sirva para manter o pagode distraído dos assuntos mais sérios, que influenciam a sua vidinha.

Assim, enquanto o País arde, o SNS se afunda e o fisco aperta o cerco, lá vamos cantando e rindo, molhando a goela com uma bebida refrescante, que a canícula não perdoa e o tempo vai de feição à preguiça. Entretanto aproveitemos para dar uns mergulhos, e quando regressarmos à superfície, é tempo de pôr a cruzinha no boletim do voto e escolher a quem vamos passar um cheque em branco para tratar de nós durante os próximos quatro anos.

Mas o assunto que nos trás a este espaço jornalístico são as festas de Verão, que acontecem no país, em geral, e em Guimarães em particular. Tradicionalmente Guimarães era palco de dois grandes acontecimentos festivos: as Gualterianas, no Verão, e as Nicolinas, no solstício de Inverno.

Com o tempo, foram nascendo outros eventos que atraem ao Centro Histórico milhares de pessoas, como a Feira Afonsina e a “noite branca”, só para citar os que têm maior impacto. Os espaços onde esses eventos acontecem têm sido mais ou menos consensuais, exceptuando as Gualterianas, que desde há uns anos a esta parte, têm andado de maço para cabaço, sem que se vislumbre a sua fixação num local definitivo.

Este ano, para não fugir à regra, faltava menos de um mês para a realização das festas em honra de S. Gualter e os responsáveis autárquicos ainda discutiam sobre o local mais adequado para instalar as barracas e os divertimentos. Finalmente decidiram-se por um espaço, ou antes, por vários, e assim os interessados poderão andar de carrossel e comer bifanas junto ao estádio de futebol, comprar peças de artesanato na Alameda de S. Dâmaso e terminar, com as tradicionais farturas, junto à Igreja de S. Gualter.

Se alguém decidisse fazer um estudo sociológico das Festas Gualterianas através dos tempos, iria certamente constatar que, chegado o mês de Agosto, a classe média citadina e os mais bastados, deslocam-se para a Póvoa de Varzim e, cada vez mais, para outros destinos turísticos, ficando a cidade entregue à população das freguesias e vilas limítrofes e aos emigrantes, que são cada vez em menor número.

As Gualterianas sempre tiveram e continuam a ter, efectivamente, um forte cariz popular, ao mesmo tempo que incomodam cada vez mais as “elites” intolerantes ao ruído, à poeira e ao cheiro a suor, misturado com o odor que emana das barracas das farturas e das bifanas.

A Câmara, que é quem em última instância superintende a organização das Festas, vai tentando “agradar a gregos e a troianos” decidindo acomodar os festeiros, um ano no Campo da Feira, no ano seguinte no Parque das Hortas, a seguir junto à estação do teleférico, para no ano posterior passar para a zona do estádio, e assim sucessivamente, sem coragem ou determinação para resolver a questão de uma vez por todas. Porque não fazer uma consulta pública à população, ou então adquirir, à semelhança do que já vai acontecendo noutras paragens onde se realizam eventos de grande envergadura, um terreno espaçoso, que poderá chamar-se “Festódromo” e onde doravante se passarão a realizar as festas maiores do concelho?

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