SÃO NECESSÁRIAS 350 BEATAS PARA CONSTRUIR UM E-TIJOLO, SENDO QUE EM PORTUGAL SÃO PRODUZIDAS 16 MILHÕES POR DIA

O ISQ aliou-se à CMG, ao Laboratório da Paisagem e ao Centro de Valorização de Resíduos (CVR) para construir o e-tijolo, um projeto que incorpora pontas de cigarros em elementos construtivos, nomeadamente, tijolos. O projeto nasceu no concurso de ideias MAIS Tec e pretende integrar na composição dos tijolos tradicionais as beatas de cigarros, provenientes do EcoPontas, um projeto que nasceu na cidade berço e que já está implementado noutros concelhos do país.

Esta tarde de segunda-feira, dia 01 de abril, foi apresentado publicamente o e-tijolo, no Laboratório da Paisagem.

Diogo Pinheiro, engenheiro electrotécnico de profissão, foi a mente onde a ideia nasceu. “Acredito que temos de olhar para o nosso mundo e que o lixo é o futuro”, começou por contar. “A minha ideia era tirar algo das ruas, neste caso as beatas, e dar uma nova vida, um novo ciclo. Li um estudo de um professor australiano que achava ser possível transformar as beatas em produtos de construção. Em seguida, concorri a um concurso do ISQ e acabei por me tornar vencedor”, explicou Diogo Pinheiro.

O engenheiro electrotécnico referiu ainda que o e-tijolo é “uma grande aposta de negócio” e que consegue ajuda a regular a temperatura das casas. “E quem diz tijolos também diz telhas, há toda uma indústria”, concluiu.

Já André Matos, do CVR, entidade que está a cargo da construção do e-tijolo, explicou que o produto ainda não tem preço. No entanto, já é sabido que para construir um e-tijolo são necessárias 350 beatas e que no território português há material para criar muitos destes tijolos. “Este tijolo, numa primeira fase, estamos a pensar usar para paredes não estruturantes, ou como elemento decorativo. Falta saber qual a dimensão desse mercado dadas as suas aplicações, talvez no próximo mês. Serão também económicos. Para fazer um tijolo são necessárias 350 beatas. Por dia em Portugal, são produzidas 16 milhões de beatas.

Inicialmente, as beatas foram incorporadas em esferas de argila. Contudo, o tijolo foi a melhor opção. “O tijolo acaba por ser um produto que entra na casa das pessoas e tem um impacto maior”, referiu André Matos.

O EcoPontas foi criado em 2015 e recolhe cerca de cem mil pontas de cigarros por ano. As beatas representam também 35% dos resíduos produzidos em Guimarães. É aqui na cidade-berço que será também aplicado o e-tijolo pela primeira vez, no Centro de Visionamento de Aves, a ser construído na Penha.

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