Segunda ópera do canto lírico retrata a desigualdade e a luta pelo voto

O presidente da Associação Artística Vimaranense (ASMAV), Francisco Teixeira, refere que o segundo momento da tetralogia fala acerca da "desigualdade entre homens e mulheres e da luta pelo voto feminino" na altura da Constituição de 1911.

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Em termos históricos, o dirigente da associação conta que a ópera retrata a “mudança de regime em que se instaura um modo novo de viver em Portugal, mas em que as mulheres são afastadas do voto. Embora os republicanos tenham prometido à Liga Portuguesa das Mulheres Republicanas que as mulheres que soubessem ler e escrever iriam ter direito a voto, a verdade é que quando foi aprovada a lei eleitoral de 1913, as mulheres não tiveram esse direito”, frisou Francisco Teixeira

No meio desse momento, houveram muitas histórias e em particular a de Carolina Beatriz Ângelo, “que conseguiu sozinha, na eleição para a assembleia constituinte de 1911, aproveitar um furo e ser a única mulher a votar na primeira república. Isso constituiu uma inovação, um ato revolucionário e um marco para a luta pela igualdade e pelo sufrágio feminino”, explica o presidente da ASMAV.

© Leonardo Pereira/ Mais Guimarães

Francisco Teixeira espera que a ópera “1911 – A Conspiração da Igualdade seja “um grande momento estético, artístico e político”. Com “grandes” expetativas, o dirigente da ASMAV afirma que já tem metade do Grande Auditório Francisco Abreu no Centro Cultural Vila Flor (CCFV) cheio para o evento.

O objetivo desta trilogia passa por “tentar instalar em Guimarães, aos poucos, um circuito de ópera para que o calendário não passe exclusivamente por Lisboa e Porto”, explica Francisco Teixeira, que espera ainda que o evento tenha pessoas não só da cidade berço, mas de todo o norte de Portugal.

A apresentação do libreto da segunda ópera do Festival de Canto Lírico de Guimarães, escrito por Francisco Teixeira, presidente da Associação Artística Vimaranense (ASMAV), realizou-se neste sábado, dia 18 de novembro.

A ópera terá lugar no Grande Auditório Francisca Abreu, no CCVF, pelas 21h30 do dia 22 de dezembro, e contará com música de António Victorino D’Almeida, encenação de João Garcia Miguel, produção da Companhia de Ópera de Setúbal e da Associação Setúbal Voz e com a participação especial da Orquestra do Norte.

A estreia da ópera “1911 – A Conspiração da Igualdade” estreia-se nos dias 01, 02 e 03 de dezembro no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal.

O diretor artístico global da tetralogia e da Associação Setúbal Voz, Jorge Salgueiro, realçou a colaboração da associação sadina com a ASMAV, que resultou “em alguns projetos em conjunto, nomeadamente no campo da ópera”.

 

© Leonardo Pereira

Maria José Tavares, responsável pela apresentação do libreto, destacou a “não romantização histórica do papel das mulheres na sociedade”, em que “é desse tema que se trata na obra”. Maria José Tavares destacou as personagens Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete e Ana de Castro Ósório, sublinhando que “pertenceram ao mesmo movimento revolucionário (Liga Portuguesa das Mulheres Republicanas)” e substanciaram a voz das mulheres e o seu direito ao voto”.

A primeira ópera, denominada de “Mau Tempo em Portugal”, que foi apresentada a 22 de julho no CCVF, representa o período em que foi criada a primeira constituição portuguesa.

Durante o próximo ano, decorrem as duas últimas óperas da tetralogia. A 18 de maio de 2024, no CCVF, realiza-se a ópera “1976 – A evolução dos cravos”.

Por fim, a última ópera tem lugar a 14 de dezembro de 2024 e denomina-se “2030 – A Nova Ordem”, que retrata a “quarta possível constituição portuguesa, passada em 2030, com a subida da extrema direta ao poder depois de alguns escândalos nas democracias de um país imaginário”, explica José Salgueiro.

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