SOM DE RUTE FERNANDES NAVEGA PELA SUÍÇA

Natural de Guimarães, Rute Fernandes estudou na Escola Profissional e Artística do Vale do Ave (ARTAVE), nas classes das professoras Joaquina Mota e Elisa Trigo. 

Apresentou-se como solista em Portugal e na Suíça e completou a sua formação com estudos de flauta barroca. Neste momento, é Co-solista na Philarmonia Zürich, Orquestra da Ópera de Zurique.

Como nasceu o gosto pela flauta?

Desde cedo que a música esteve presente no meu dia-a-dia, graças ao meu irmão e primos que são músicos. Contudo, foi aos oito anos de idade que iniciei os meus estudos musicais, na Sociedade Musical de Pevidém, de onde sou natural. Depois de seis meses com aulas de solfejo e formação musical, foi-me dada a escolha de um instrumento. Foi fácil, pois já sabia que seria a flauta, e não hesitei!

Quais os nomes que influenciaram a sua música?

Devo confessar que no início foi o meu irmão, Ângelo Fernandes, e o meu primo, Vasco Faria, que me incitaram a vida musical. Os meus pais também sempre estiveram presentes, e mesmo sem serem músicos, foram fantásticos e sempre me deram um apoio incondicional.

Foi só mais tarde, quando entrei na ARTAVE que decidi seguir música como carreira.

Assim, destaco a importância dos meus professores de flauta durante o meu percurso, aos quais faço uma pequena homenagem por todo o trabalho desenvolvido durante todos estes anos. Foram eles: Joaquina Mota e Elisa Trigo (Artave), Michel Bellavance (Haute école de Musique de Genève) e Sarah Rumer (Hochschule Musik Luzern).

Além dos meus professores tive a sorte de ter partilhado os meus estudos com colegas excecionais, com os quais aprendi muito, assim como a oportunidade de assistir a concertos e trabalhar com músicos de renome como Barthold Kuijken, Emmanuel Pahud, Denis Bouriakov, Andràs Schiff, Zubin Mehta, Christoph Eschenbach, Gábor Takács-Nagy, entre outros.

Conte-nos o seu percurso de flautista?

Depois dos meus estudos na Artave, prossegui os estudos universitários em Genebra, na Haute École de Musique, na classe do prof. Michel Bellavance, onde obtive a minha licenciatura em 2013. Foi então em Janeiro 2016 que terminei o Mestrado especializado em Orquestra, na classe da professora Sarah Rumer, na Lucerna, na Hochschule.

Paralelamente aos estudos, participei em orquestras como na Orquestra de Jovens da União Europeia (Summer School), Schleswig-Holstein Musik Festival, Orquestra de Jovens da Suíça, Verbier Festival Orchestra e Verbier Festival Chamber Orchestra. Pude ainda colaborar com algumas orquestras profissionais como a Orquestra Gulbenkian, Orchestre de la Suisse Romande e Tonhalle Orchester Zürich. Desde setembro de 2015, faço parte da Philharmonia Zürich, Orquestra da Opera de Zurique.

Quais são os momentos que destaca?

Durante a minha carreira, houve certamente muitos momentos marcantes, entre eles concertos memoráveis dirigidos pelos maestros Christoph Eschenbach, Krzysztof Urbanski, Ivan Fsicher e Gábor Takács-Nagy. O prémio no concurso de Riddes (Suíça, 2012) foi igualmente gratificante, assim como os prémios e momentos de palco partilhados com Made in Trio, ensemble do qual faço parte. Contudo, o momento mais marcante foi ganhar a audição do lugar de Co-Solista na orquestra da ópera em Zurique, onde me encontro atualmente. Significou concretizar o sonho de longa data de seguir a carreira orquestral.

Pretende continuar carreira fora de portas ou deseja voltar a Portugal?

Como trabalho em Zurique a base da minha carreira é aqui e um regresso definitivo a Portugal não está previsto. No entanto, espero poder voltar a atuar em Portugal e estou a fazer os possíveis para organizar alguns eventos no país, incluindo em Guimarães, claro.

Qual o panorama de Portugal na formação de músicos?

Apesar de Portugal possuir um nível extraordinário de jovens músicos, a cultura da música clássica e a formação musical nas escolas primárias e secundárias ainda não está suficientemente implementada, o que causa uma lacuna na educação dos mais novos. Além disso, a situação do mercado musical torna a busca de trabalho e oportunidades bastante difícil, levando muitos dos nossos músicos a partir e a estudar/trabalhar fora do país. No sentido inverso, aqui o interesse está sempre presente e as instituições querem conhecer o trabalho. É normal ir uma vez por semana à ópera ou a um concerto sinfónico e os preços para estudantes são acessíveis, o que desperta mais a curiosidade dos alunos. Creio que aqui, como outros países da Europa como Alemanha e Áustria, a cultura musical está um pouco mais implantada que em Portugal.

Fotos: DR

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