Testemunhos de um dia de pai para sempre especial

Quem sai aos seus não degenera. O ditado é antigo, mas aplica-se na história de dois pais que viram os filhos seguirem as suas pisadas no desporto. Olhos humedecidos, mas com um brilho radiante, Manuel Castro Dias, de 64 anos, e Gustavo Castro, de 44 anos, não escondem o orgulho de verem o seu legado em ação.

© Joana Meneses / Mais Guimarães

A poucos dias da comemoração do dia do pai, que se celebra a 19 de março, a primeira história surge na vila de Ronfe e na modalidade do judo. O mestre Manuel Carlos Dias, o “eterno aluno”, como faz questão de ressalvar, confessa ser um pai babado. “Nunca obriguei o meu filho a seguir a modalidade, mas fiquei satisfeito e radiante por ter seguido as pisadas do pai. O judo é uma paixão antiga e é o meu antibiótico para me manter ativo. O Carlos decidiu seguir o meu legado e isso deixa-me orgulhoso”, confessou.

“Estou orgulhoso pela caminhada que tem feito. Sempre dei uma boa educação aos meus filhos, mas o judo sempre foi um aliado importante. É uma modalidade que transmite valores importantes para a vida e este meu miúdo, que agora é um homem, tem feito um grande trabalho fora e dentro dos tatamis”, acrescentou.

E qual seria o melhor presente no dia do pai? “Ter os meus filhos por perto. A família é como uma árvore. Todos os ramos têm de estar ligados. É sempre o melhor presente no dia do pai”, confessou.

Encantado com o discurso do progenitor, Carlos Dias, de 36 anos, disfarça a emoção com um sorriso. “Desde tenra idade que acompanhava o meu pai nos treinos. Já joguei futebol, mas o judo sempre fez parte da minha vida. Os valores que o meu pai me ensinou, também os encontrei na modalidade, desde a gentileza, amizade, respeito, entre outros tantos”, enumerou. “Continuar um legado que ele construiu deixou-o orgulhoso. Se o judo existe no concelho deve-se muito a ele, porque a paixão pela modalidade deixou muitos clubes vivos. Espero um dia mais tarde poder fazer o mesmo com os meus filhos, porque no judo formamos primeiro pessoas e só depois os atletas”.

“A família é como uma árvore. Todos os ramos têm de estar ligados.”

Manuel Carlos Dias

Paixão pelo andebol nasceu no útero da mãe

O jovem Guga, de 10 anos, é praticante de andebol no Xico. Não se lembra de ver o pai Gustavo Castro a jogar na elite da modalidade, mas foi na barriga da mãe, ainda na Madeira, quando o pai representou o Madeira SAD, que ouviu as primeiras batidas da bola nos pavilhões.

“O desporto é importante na vida e fazia sentido começar a praticar uma modalidade. Nada melhor do que seguir as pisadas do meu pai. Ele conseguiu fazer uma bonita carreira e vou trabalhar para tentar alcançar o que ele conseguiu. Sei que está orgulhoso e sinto-me feliz por ver o meu pai feliz. Vou fazer de tudo para chegar a um clube grande”, revelou ao Mais Guimarães. As recordações são escassas, mas há uma que permaneceu na memória. “Lembro-me de estar no colo da minha mãe e ver o meu pai a receber um troféu. Só mais tarde é que soube que estava a ser homenageado no seu último jogo na carreira”, recordou o jovem Guga, que também decidiu utilizar o número cinco em homenagem ao pai.

Fascinado e deslumbrado pelo discurso do jovem Guga, o progenitor não poupa nos elogios ao seu herdeiro. “Fiquei feliz por seguir as minhas pisadas. Mas, mais importante do que isso, é ele gostar e empenhar-se. Tem a mesma paixão que eu tinha e vejo isso diariamente. O andebol para ele é sagrado e, numa geração que gosta é de jogar playstation, a responsabilidade dele é fenomenal. Prefere treinar do que estar agarrado aos comandos durante várias horas. Ele não tem noção, mas a responsabilidade e paixão que ele tem na vida e na modalidade, são o melhor presente do dia do pai”.

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