Ucrânia: “Temos de ser capazes de dar resposta com dignidade” diz Adelina Paula Pinto

Cerca de duas dezenas de crianças e jovens ucranianos que chegaram a Guimarães nas últimas semanas já iniciaram a sua integração nas escolas do concelho. A informação foi avançada na manhã desta terça-feira, dia 29, por Adelina Paula Pinto, vice presidente da câmara municipal, e responsável pela educação e saúde no município.

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Segundo a vereadora, a ligação entre as várias entidades locais que têm albergado refugiados da guerra na Ucrânia, as escolas e o município, quer através da ação social, quer da educação, tem permitido integrar essas crianças na escola mais próxima do local onde estão atualmente a residir.

Adelina Pinto mostra-se “muito descansada” relativamente ao processo de integração dos novos alunos nas escolas vimaranenses, até porque, diz, Guimarães tem já experiência em situações idênticas “um know how muito grande”, e um programa, o Guimarães Acolhe, que surgiu na resposta ao fluxo de refugiados Sírios e da Eritreia. A responsável pela educação adianta também que, relativamente à comunidade ucraniana, as escolas “estão a reagir muito bem”.

Nesta altura, diz, tem sido importante o papel dos cidadãos ucranianos que estavam já a residir no concelho. “As escolas fizeram um levantamento, quer de miúdos, quer de pais, que servem agora de elos de ligação, porque não é de um dia para outro que os novos vão falar e entender português”,  afirma.

Para além da integração nas escolas, as crianças e os jovens ucranianos estão também a ser inseridos em diversas atividades que já exerciam no seu país, como música, ginástica ou natação. Adelina Pinto agradece a “disponibilidade imediata” de várias instituições vimaranenses para acolherem gratuitamente estes jovens, nomeadamente o Conservatório de Música de Guimarães, a Guimagym, a Tempo Livre ou a Oficina.

Também, acrescenta Adelina Pinto, o município está a proceder à identificação das profissões das mães, porque essencialmente chegaram a Guimarães elementos do sexo feminino, “para ver de que forma podemos potenciar essas profissões nesta integração”.

O desafio atual, para a vereadora, é construir “um acolhimento que não seja de caridade, porque nós temos de lhes dar a hipótese de estarem bem, de estarem seguros, e de aqui desenvolverem as suas potencialidades”. Adelina Pinto reforça que há “um tempo de caridade, de resolvermos as questões urgentes, mas depois há os projetos de vida deles, que tem de passar por aqui, e não sabemos por quanto tempo, é uma incógnita. Temos de ter uma solução a longo prazo e é isso que estamos a desenhar”.

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Já relativamente à saúde dos refugiados que chegam a Guimarães, são sujeitos à realização de rastreio covid-19 e também tuberculose. Adelina Paula Pinto diz que tem “corrido tudo muito bem”, e que a rede instalada está a trabalhar com o Hospital de Guimarães, para ver como se podem solucionar algumas questões, nomeadamente relacionadas com as dificuldades de comunicação.

A vice-presidente da câmara manifesta também preocupação com o tráfico humano, um crime que tem inquietado a comunidade internacional, dizendo ser difícil provar que as crianças, por exemplo, “efetivamente são das pessoas com que chegam, porque muitos veem com vizinhos, tios, e ninguém fez, naturalmente, em tempo de guerra, um documento formal”, mas adianta que o município tem estado em contacto regular com os serviços do SEF (Serviços de Estrangeiros e Fronteiras).

Adelina Paula Pinto espera uma integração “bem conseguida”

A vice-presidente da câmara crê que os ucranianos estejam apenas “de passagem” por Portugal, porque “não foi projeto deles virem” para o nosso país.

Pelo que tem percebido a vereadora, as famílias estando divididas “há muita vontade de regressar, mas esse regressar não será tão imediato quanto isso, porque a Ucrânia não estará propriamente pronta para receber estes milhões de pessoas que estão em movimento”, acrescenta.

Adelina Pinto espera em Guimarães uma integração “bem conseguida”, alertando que a comunidade tem de ser civilizada e “deixar de lado as questões imediatas e passar a pensar estruturalmente nas pessoas” lembrando que há mulheres jovens com crianças muito pequenas, e que há crianças muito mal, com muitas dificuldades, algumas que praticamente deixaram de falar, que só choram pelos pais. Há situações criticas e que nós temos que ser capazes de dar resposta, com dignidade”, termina a vereadora.

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