UM PAÍS À ESPERA

Por Rui Freitas

É com pesar que infelizmente, o país vai terminar o ano com mais uma tragédia. A queda da aeronave do INEM, não deixou ninguém indiferente, ainda mais por se tratarem daqueles que colocam, vezes sem conta, a sua vida em risco para salvar as nossas. Mas mais uma vez, como já vai sendo hábito em Portugal, serviu para mostrar que quando mais precisamos dos dispositivos organizados para fazer face a eventos desta natureza, tudo parece falhar. Nem que fosse, nesta situação, para servir aqueles que arriscaram a vida por todos quantos salvaram, ao longo das suas carreiras, que terminaram tragicamente no último sábado. Mais uma vez, são anunciados inquéritos em catadupa, para explicar o que como de costume no nosso país, nunca será explicado. Enquanto isso o Ministro de Administração Interna prefere hostilizar os Bombeiros com a vontade, que cada vez mais se prova dúbia, lhes retirar o seu comando autónomo, ao invés de ouvir quem, ao longo de séculos, sempre esteve ao lado de todos nós.

Mas esta posição do Ministro Eduardo Cabrita, retrata de alguma forma, o modo como o Governo fecha o seu ano, de costas voltadas para os portugueses. A crispação na sociedade portuguesa está hoje em níveis difíceis de encontrar paralelo, sendo apenas mitigada pela falta de amplificação que uma esquerda, outrora ruidosa, insiste praticar. São professores, são funcionários judiciais, são guardas prisionais, são bombeiros, são tantas outras classes profissionais que até lhes perco o rasto e por fim, sim, por fim, são os enfermeiros. Só quem teve a sorte de nunca necessitar de cuidados hospitalares é que pode não valorizar o papel do enfermeiro. Se os médicos são o cérebro do sistema de saúde, os enfermeiros são a espinha dorsal do mesmo. Não valorizar o papel do enfermeiro, não é apenas tratar mal a classe profissional, mas todos nós que mais cedo ou mais tarde a eles recorreremos. E o exercício que devemos fazer é perceber, não porque fazem greve agora, mas porque só fazem greve agora, e o que leva a uma classe profissional responsável como esta, a não lhe restar mais nenhum meio de protesto. Dá que pensar…

Mas 2019 será ano de eleições europeias e legislativas e aquilo que antecipo é que a geringonça, se mostre cada vez mais desengonçada. À extrema esquerda, comunista e bloquista, resta começar a fazer barulho e juntar-se oportunisticamente a todos aqueles de quem esqueceu ao longo dos últimos anos, com a mesma atitude cínica com que subscreveu tudo quanto os levou ao protesto. Fá-lo-á para voltar a aparecer e tentar ganhar o peso que lhes permita não desaparecer e tentar repetir a receita para uma segunda legislatura. O PS, já sinalizou este fim de semana, irá tentar acalmar os seus parceiros de esquerda com promessas de geringonça futura, na esperança que a oposição destes seja feita num estilo mais suave, que não ponha em causa a sua aspiração de maioria absoluta. Ao centro e à direita, a conversa é outra. Há muito caminho por percorrer. Será até incompreensível que a aspiração de Rio seja outra que não a vitória nas eleições, uma vez que não me recordo de tanta contestação a um governo PS. Terá agora uns meses para mostrar que é a alternativa, focar-se no país e esquecer perseguições internas estéreis, que não levam a lado algum. Pois ao virar da esquina terá Santana e Cristas preparados para aproveitar tudo aquilo que não souber capitalizar.

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