UMA COISA E O SEU CONTRÁRIO

Por RUI ARMINDO FREITAS

Economista

A coerência na acção política deve ser um dos princípios que norteiam o caminho de quem no dia a dia exerce o serviço público. Não só por mera solidez do caminho que se traça, mas para que as equipas que dela dependem percebam qual é o caminho, e não menos importante, que os cidadãos que dela são destinatários possam interiorizar e perceber qual o rumo que uma determinada comunidade está a seguir, de forma a que possam também ser agentes potenciadores de evolução. Tal como numa equipa desportiva, numa empresa ou em qualquer organização, a transparência e clareza na acção e na mensagem são fundamentais para o sucesso.
Por isso custa-me perceber como celebramos a semana europeia da mobilidade, cortando estacionamento, que por cá já é escasso, e assistimos a automóveis amontoados por cima dos passeios da cidade. É difícil entender como o cidadão que é convidado a usufruir do programa que celebra a mobilidade tenha acabado de estacionar o seu automóvel de forma a que um carrinho de bébé ou um cidadão de mobilidade reduzida não possam passar. Obviamente que o mais fácil é culpar o cidadão, eu prefiro culpar a política. Associamo-nos ao dia sem carros numa rua, mas por outro lado entupimos todas as outras. Bem sei, que nos dias de hoje em que uma fotografia nas redes sociais muito vale, a rua que está sem trânsito dá para umas boas fotos de instagram, contudo, como muitas coisas nas redes sociais, apenas serve para criar a ilusão de uma realidade que não existe. Lembrei-me então que no ano passado, por esta altura, foi apresentado o primeiro autocarro eléctrico em Guimarães, eu, que muito círculo pelas estradas e ruas do concelho e da cidade, não mais me cruzei com ele. Entretanto em Braga, foram anunciados 6 autocarros eléctricos a par com o objectivo de, em 2019, 30% da frota dos TUB ser movida a energias limpas (eléctrica) ou menos poluente (gás natural). Mas uma coisa é certa, o ano passado o nosso autocarro eléctrico deu umas belas selfies… É difícil perceber a algazarra da inauguração de uma ecovia, da qual devo dizer que sou entusiasta, e que o automobilista tenha tempo para assistir a toda a cerimónia, porque se encontra parado dentro do seu automóvel no topo da Av. D. João IV. Dou por mim a pensar se a ausência de soluções para a mobilidade na nossa cidade não seja um qualquer plano oculto de fomento da utilização da bicicleta ou mesmo a pé, qualquer coisa do género, “Haveremos de entupir tanto as ruas que os automobilistas acabarão por desistir”… Brincadeiras à parte, porque o assunto é sério, parece que é chegado o tempo de se ouvir os decisores políticos, de uma vez por todas, falarem de um tal plano integrado de mobilidade que está encomendado a uma entidade renomada, e que tarda em ser apresentado. É tempo de ouvirmos verdade sobre o desnivelamento do nó de Silvares. É tempo de serem apresentadas soluções de estacionamento que permitam uma fruição mais confortável do centro da cidade e do seu comércio. É que, no meio de tanta festa, já passou um ano desde a última eleição autárquica, porque o tempo esse, ao contrário do trânsito na nossa cidade, flui com muita rapidez, já a evolução segue ritmo condicionado.

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