UMA “PEQUENA COMUNIDADE” LEVA GUIMARÃES AO PALCO EM “RETÁBULOS”

Há um “retábulo maravilha” que só os mais honestos, sábios e cultos podem ver, e “toda a elite” da cidade diz que o vê, embora ele não exista. É “um embuste” que funciona como “uma metáfora ao próprio teatro”, descreveu assim “Retábulos”, à agência Lusa, um dos encenadores da peça, e responsável pelo Teatro Oficina, João Pedro Vaz.

“Retábulos”, explicou o encenador, que ombreia no cargo com Nuno Preto, “tem por base o Retábulo Maravilha, de Cervantes, reescrito nos anos 30, que neste espetáculo são misturados e é ainda acrescentado um novo retábulo”, criado pelo Nuno Preto.

“Através de uma palavra eu torno presente, através da imaginação do público, algo que não está presente”, disse, explicando que a peça que leva ao palco do Centro Cultural Vila Flor com três atores profissionais e 47 amadores foi um “desafio” lançado à comunidade.

“Esta peça foi uma forma de desafiar, de uma forma mais exigente, os nossos alunos [que frequentam as oficinas teatrais do Teatro Oficina], atores amadores, com várias profissões, que não estão num grupo de teatro mas que querem experimentar o teatro”, referiu.

Além do desafio aos amadores, “mas também aos profissionais”, este “Retábulos”, explanou o responsável, foi a “forma de levar a cidade” ao palco.

“Os festivais Gil Vicente são já património da cidade, e esta foi a nossa maneira de também termos a cidade a subir ao palco, de uma forma metafórica mas também física”, explicou.

“Num dos retábulos, logo no inicio, é dito que finalmente se chegou a uma cidade e que é preciso agarrar isso. É um pouco como o nosso trabalho no Teatro Oficina, temos que agarrar uma cidade, que é Guimarães e que aqui vai ser representada por esta ‘pequena comunidade’ de 47 atores amadores e que as pessoas vão reconhecer, precisamente porque são da cidade”, explanou.

“Retábulos” sobe, em estreia absoluta, ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor esta sexta-feira, 08, integrado na programação dos Festivais de Teatro Gil Vicente.

Ao todo, são seis espetáculos, duas estreias absolutas, quatro laboratórios e dez apresentações em colaboração com a Universidade do Minho, além de residências artísticas e oficina de dramaturgia, que perfazem o programa da 31.ª edição dos Festivais Gil Vicente.

O preço dos ingressos varia entre os cinco e os dez euros, havendo a possibilidade de adquirir diferentes assinaturas para o festival. Os alunos que frequentam Escolas de Artes Performativas têm um preço especial de quatro euros nos espetáculos.

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