Universidade de Bolso: Durante três dias, o mundo discute a partir de Guimarães

Dar a volta ao mundo em três dias vai ser possível, entre os dias 27 e 29 de maio, em Guimarães. “Universidade de Bolso” é um ciclo de conferências criado por João Sousa Cardoso e, na primeira edição, tem como mote “coabitação e novas temporalidades”.

© Mais Guimarães

Este é um novo evento internacional que se prepara para emergir no calendário cultural. Coabitação e novas temporalidades é o mote escolhido para esta “Universidade de Bolso” e concentra-se na atualidade dos direitos das minorias étnicas nas sociedades contemporâneas e na elaboração social, ética e estética de uma cultura cosmopolita e transtemporal. 

Ao longo de três dias, Guimarães será um “lugar de pensamento do século XXI, em que erudição, cultura popular, prática e intelectualidade convergem para uma experiência transgeográfica, transcultural e transistórica”. Foi assim que João Sousa Cardoso apresentou “Universidade de Bolso”.

João Sousa Cardoso parte do “problema” que é a universidade e o que é uma aula universitária. “Um encontro intelectual entre adultos para se pensar o tempo e a cidade. Um lugar que hoje está em transformação”, diz. “Universidade de Bolso” é, assim, “uma ideia para lidar com esse problema” e, ao mesmo tempo, é um evento contra o paradigma da alta especialização.

A cada edição, os participantes encontram‐se com os oradores, pensadores e artistas internacionais, relevantes do nosso tempo, convidados a proferirem uma aula publica; com os habitantes, dois residentes locais que testemunharão um itinerário pessoal e saberes com direito de cidade; e os observadores, dois convidados que acompanharão no terreno todo o programa e, no último dia, devolverão o seu olhar numa perspetiva participante, critica e propositiva sobre o trabalho desenvolvido. 

Françoise Vergès é intelectual, escritora e militante e tem desenvolvido um pensamento crítico sobre as relações entre anticapitalismo, ativismo feminista e decolonização. Vladimir Safatle é filósofo brasileiro, docente na Universidade de São Paulo e músico. Tem produzido reflexão sobre a construção política das subjetividades entre a filosofia, a crítica da cultura e a teoria psicanalítica. Mary Baxter, que também assina com o nome hip‐hop Isis Ta Saviola, é uma artivista norte‐americana que trabalha a relação entre o sistema institucional da justiça, a violência de estado e a comunidade afrodescendente nos Estados Unidos da América. São estes os oradores desta primeira edição.

Os habitantes, Svitlana Baptista e Niranjan Sapkota, partilharão, num espaço por eles decidido, a sua experiência pessoal. Uma experiência de imigração da Ucrânia e do Nepal, respetivamente. Svitlana Fedynyak Baptista falará sobre a cultura cívica, tecnocientífica e política em que se formou na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o trauma coletivo da catástrofe ecológica de Chernobyl, a experiência migratória entre um regime autoritário do leste europeu e uma democracia em consolidação no extremo ocidente do continente. Niranjan Sapkota, por seu lado, mostrará como concilia a formação hindu e o território cultural de acolhimento, a carreira académica e o emprego fabril, além do interesse pela música dos instrumentos tradicionais como uma prática familiar a que dá continuidade.  

No último dia, os observadores realizarão uma análise dos três dias de conferência, seguindo-se um debate com os participantes. São eles a historiadora francesa Yvane Chapuis, responsável pelo Departamento de Pesquisa na escola de artes La Manufacture, em Lausanne, e António Guerreiro, crítico cultural e professor na Faculdade de Belas‐Artes da Universidade de Lisboa.

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