Universidade do Minho utiliza estímulos acústicos para ajudar doentes com Parkinson

O objetivo da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) é auxiliar nos processos diários da reabilitação cognitiva e motora de doentes com Parkinson, e no seu acompanhamento por cuidadores e médicos, através de estímulos acústicos e monitorização recorrendo a um leitor de mp3 e a um simples smartwatch no pulso.

O “TECA-PARK – Tecnologias de capacitação acústica para a assistência, monitorização e reabilitação de pacientes com doença de Parkinson” inova ao recorrer a objetos de uso frequente no quotidiano. É entregue ao paciente um kit de estimulação (leitor de mp3 com auriculares, para ouvir duas vezes ao dia uma estimulação de dez minutos) e um kit de monitorização (relógio inteligente, telemóvel ou tablet, para realizar exercícios bissemanais). A informação gerada é recolhida, enviada para servidores, e os dados são relacionados com a evolução dos sintomas do paciente e eventuais melhorias fruto desses estímulos acústicos. Na Universidade do Minho criou-se uma ferramenta de monitorização do movimento, decisiva para perceber o efeito dos medicamentos na autonomia dos doentes, permitindo obter mais dados para a sua avaliação clínica.

No primeiro trimestre deste ano decorreram sessões semanais com pacientes voluntários do Hospital Senhora da Oliveira e Lar de Santa Estefânia, em Guimarães, orientadas por Nelson Costa. A pandemia suspendeu os trabalhos e as sessões foram escassas para saber se o estímulo acústico produz efeitos retardadores da evolução da patologia. No entanto, os resultados prévios confirmaram que a ferramenta é útil.

O responsável acredita que a disponibilidade de informações precisas para os serviços clínicos e de reabilitação poderá melhorar os tempos de resposta na adaptação de protocolos de tratamento farmacológico e de reabilitação, contribuindo para o cuidado e assistência a doentes de Parkinson.

O projeto científico “TECA-PARK” tem a parceria das universidades Politécnica de Madrid e de Oviedo, em Espanha, e o apoio do Hospital Senhora da Oliveira e Lar de Santa Estefânia, ambos em Guimarães. É financiado pelo Centro Internacional sobre o Envelhecimento, ligado ao programa transfronteiriço INTERREG e ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. A investigação em Portugal é coordenada por Pedro Arezes e Nélson Costa, do Centro Algoritmi da UMinho.

A região transfronteiriça, na qual se insere o “TECA-PARK”, tem uma população tendencialmente envelhecida, dispersa em territórios rurais e com acessibilidade assistencial limitada a nível neuro-degenerativo, um tipo de patologia em que a tecnologia poderá ter um impacto muito positivo nos pacientes.

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