VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, UM CRIME DE GÉNERO

Por Eliseu Sampaio.

No passado dia 25 de novembro, segunda-feira, celebrou-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Uma data que visa alertar a sociedade para os vários casos de violência contra as mulheres, nomeadamente casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e psicológicos.

Em média, uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica e, em Portugal, 85% das vítimas de violência doméstica são mulheres, num flagelo que abarca todas as condições e de todos os estratos sociais e económicos. Nos últimos 15 anos, no nosso país, cerca de 500 mulheres foram assassinadas neste contexto. Em 2019, até meados de novembro, foram já assassinadas 23 mulheres, oito homens e uma criança em contexto de violência doméstica, de acordo com dados divulgados pelo “Expresso” do último sábado. O jornal destaca ainda que “entre os homens apenas dois foram mortos por mulheres. Não há uma inversão de papéis. Este é um crime de género”.

 “[Nós homens] matamos mulheres! Matamos muitas mulheres! Não há como dizê-lo de outra forma: nós, homens portugueses matamos mulheres.” Assim arranca um artigo espesso de Esser Jorge Silva, sociólogo vimaranense, publicado na Revista Mais Guimarães de março deste ano.

Esser Jorge acrescenta que “Este “nós” aqui aposto serve exatamente para que nenhum homem se aparte desta realidade já que as mulheres são as vítimas e, logo, parte (des)interessada no seu assassinato. Assumir que “nós homens” matamos mulheres serve para que se não diga, “ah, eu não matei ninguém”, querendo com tal afirmar-se que nos escapa o que deve ser, mais do que uma imensa vergonha, uma imensa tragédia alocada em “nós”, homens portugueses. Porque matamos mulheres, uma vergonhosa inglória.”

É hora de nós, homens, nos desvincularmos definitivamente dos conceitos animalescos e arcaicos, que em nada atestam alguma espécie de superioridade perante o género feminino e, contrariamente, só asseguram uma total ausência de outros argumentos, abundantemente mais humanos.

As edições da Revista Mais Guimarães estão disponíveis para download gratuito em www.maisguimaraes.pt.

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