“Voz Multiplicada” evoca o tempo da escuta e da fala no museu

No próximo dia 7 de maio, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) inaugura cinco exposições que tecem diversos tipos de relações com as coleções de José de Guimarães. Com direção artística de Marta Mestre, “Voz Multiplicada” é o título do novo ciclo e remete para a amplificação dos sentidos individuais transformados em coletivos, para aquilo que é múltiplo e político dentro e fora do museu, para a polifonia como expressão da multiplicidade.

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“Voz Multiplicada” desdobra-se em cinco novas exposições: “A Língua do Monstro”, de Pedro Barateiro; “EU UE / Amnésia & Dislexia”, de Yonamine; “Manifestos”, de José de Guimarães; “Preambular o Futuro”, de Max Fernandes; e “Garganta”, uma exposição coletiva na qual participam Afra Eisma, Asger Jorn & Noël Arnaud, Dalila Gonçalves, Gabriel Abrantes, Gabriela Mureb, Janaina Wagner, João Ferro Martins, Leonor Teles, Luís Lázaro Matos, Mauricio Poblete, Oficina Arara, Rosa Ramalho e Tom Zé. “Garganta” tem como curador visitante o brasileiro Raphael Fonseca. 

“A Língua do Monstro” é uma intervenção de ampla escala de Pedro Barateiro que produz um curto-circuito entre trabalhos emblemáticos do próprio artista, uma seleção criteriosa de objetos que pertencem aos acervos do CIAJG, e também diversos documentos de arquivo relacionados com o Estado Novo. Segundo o artista, a imagem do Monstro evoca “tudo aquilo que escapa à norma, aos padrões de comportamento, traduzindo-se também numa transformação necessária ao museu”.

Com “EU UE / Amnésia & Dislexia”, o artista angolano Yonamine desfaz mitos de origem e autenticidade, através do cruzamento de referências muito diversas, polifonias pop e ancestrais. A exposição-instalação é, segundo Marta Mestre, “atravessada pelo signo da profanação, do corte e da colagem, da rasura e do apagamento, emergindo desse pó visual referências como a deusa Europa da mitologia grega, os fetiches da beleza eurocêntrica, o sexo e o capital, e a coleção africana de José de Guimarães”.

Depois de já ter realizado três manifestos em momentos distintos da sua vida e obra, José de Guimarães apresenta agora “Quasi-Manifesto”, realizado em 2022, a convite do CIAJG. Juntos formam uma tetralogia que afirma a palavra do artista diante das convenções do mundo. Expressando, de forma lapidar, o nosso país e as suas contingências históricas, num arco temporal de mais de cinquenta anos, “Manifestos” ocupará vários espaços do museu.

À semelhança dos ciclos expositivos anteriores, no piso -1 do CIAJG o público pode encontrar uma exposição coletiva que resulta de um convite a um curador visitante. “Garganta” reúne 14 artistas de diversas nacionalidades e tem como ponto de partida uma das gárgulas da Igreja de Nossa Senhora de Oliveira, no centro histórico de Guimarães.

Este novo ciclo expositivo fica completo com “Preambular o Futuro”, de Max Fernandes, uma intervenção vídeo que irá ocupar os espaços intersticiais do CIAJG. Partindo de imagens de arquivo relacionadas com a inauguração do museu, em 2012, e num momento em que a cidade reflete sobre os ciclos de desenvolvimento no contexto dos dez anos da Capital Europeia da Cultura, esta intervenção combina filme/montagem de arquivo, reciclagem de imagem e montagem intertextual, e dá novos significados a imagens existentes, povoando o nosso passado dos futuros nele latentes. 

Por ocasião do seu décimo aniversário, o CIAJG convidou María Iñigo Clavo a assinar um texto de reflexão, que tem como ponto de partida os museus que expõem objetos de culturas ditas extraocidentais. Neste texto, a autora questiona a ideia de “um tempo sem tempo”, fora da história civilizada, e dá pistas, a partir da arte contemporânea, sobre outras formas de nos relacionarmos e experienciarmos estes acervos, as quais possam restituir a sua força de pensamento.  

A abertura das novas exposições do CIAJG, marcada para as 18h00 do próximo dia 7 de maio, será assinalada com a performance “I believe in good things coming”, de Luísa Mota. Terá a forma de uma “marcha” pelas ruas da cidade, em que os participantes estarão vestidos com os figurinos “Homens Invisíveis”, entidades sobrenaturais que fazem parte do universo da artista. A “marcha” culminará com a ocupação da praça e do interior do CIAJG. 

No dia seguinte, 8 de maio, às 11h00, haverá uma visita orientada às exposições por Diana Geiroto, da Educação e Mediação Cultural d’A Oficina, e, partir das 16h00, na Black Box do CIAJG, José de Guimarães e Mariana Pinto dos Santos protagonizam uma conversa, moderada por Marta Mestre, em torno do tema “Imaginários primitivistas, ontem, hoje e amanhã”.

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