Mais Guimarães

Mais pobreza, mais carga fiscal

Através deste retrato é possível perceber, por exemplo, que o preço das casas aumentou 90% em relação a 2015, quando os salários aumentaram apenas 20%, estando Portugal entre os quatro países da UE com maior aumento dos preços das casas.

Além disso, em 2022, quase um terço dos inquilinos (29,4%) estava em situação de sobrecarga financeira com as despesas com a habitação. Verifica-se igualmente que 18,5% das crianças e jovens em Portugal vivem em situação de pobreza; que mais de um terço das famílias ganhavam, em 2021, no máximo, 833€ brutos mensais; que o salário mínimo atual, de 760€, vê na prática o poder de compra baixar para 678€; ou que aumentou o número de pessoas sem capacidade financeira para assegurar uma refeição de carne, peixe ou equivalente vegetariano de 2 em 2 dias (de 2,4% para 3%), entre outros indicadores.

Ler este relatório é doloroso e indicia um caminho difícil para os portugueses, e para aqueles que escolheram Portugal para viver. Tanto mais que o Orçamento de Estado que agora está a ser discutido aponta para um aumento da carga fiscal, para uns 38%, um novo máximo histórico.

Algo tem de ser feito para inverter esta situação , a realidade que tem colocado os portugueses mais pobres e, o pior de tudo, a perderem a esperança em dias melhores. A esperança, a expectativa, que é capaz de nos mobilizar a todos na contrução de um país mais próspero e repleto de oportunidades, o país de desejávamos, e que parece estar cada vez mais longe.

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