por Mário Moreira
“No meu tempero tem um pouco de pimenta; não é todo o mundo que gosta, nem todo o mundo que aguenta” Clarice Lispector
A pimenta é a seguir ao sal o condimento mais utilizado em todo o mundo.
Os grãos de pimenta não têm nada que ver com as plantas do pimentão e do pimento doce, muito embora sejam ingredientes que emprestam um precioso contributo condimentando a nossa alimentação com sabor picante.
A pimenta moida em saquetas dentro de algum tempo apresenta um sabor desagrável e poeirento, muitas vezes com misturas de outros produtos, como caroços de tâmaras moídos, pelo que se aconselha comprar a pimenta em grão.
Os grãos de pimenta devem ser libertos de pó, aromáticos, ter uma textura dura para não se deixarem amassar entre os dedos. Nada melhor do que ter um moinho na cozinha, o aroma e o sabor da pimenta moida no momento é diferente do gosto e do cheiro seco daquele que compramos em saquetas em pó.
Falar de pimenta, vem-nos à memória a pimenta preta. As suas bagas devem ser apanhadas verdes e deixadas a secar ao sol, até que se transformem de cor preta ou castanho-escuro. A pimenta branca resulta da mesma planta, mas para obter a sua cor, é necessário que as bagas amadureçam e atinjam uma cor avermelhada a fermentar ao sol. Após esta operação são retiradas as cascas com sucessivas lavagens. Os grãos são colocados de novo a secar, tornando-se, deste modo, esbranquiçados e lisos. Vem-nos também à memória, em ganapos, de sermos repreendidos com pimenta na língua quando contrariavamos os nossos tutores.
“Posta de novilho com molho de mostarda com pimenta preta”
Bom apetite!
Um abraço gastronómico.