por Mário Moreira
Nos meses de Janeiro e Fevereiro, a multiplicação das festas do fumeiro dedicadas aos enchidos, tradicionalmente, um hábito enraizado, por todo o país, onde o porco é o seu grande protagonista. É dele que se fazem a maior parte das mais belas, tentações gastronómicas, desde o grande número de salgados; como os salpicões, os chouriços, os paios, aos doces, embora raros, onde o mel e as amêndoas dão relevo ao seu tempero.
O chouriço, pode não ser o melhor enchido, mas deverá ser entre todos o mais popular. O popular chouriço muda de nome, ao mudarmo-nos de região. Há quem lhes chame linguiça, isto tem que vem ver com a escolha das carnes e temperos, na duração da sua cura e no grau de exposição ao fumo ou calor. Estes fatores são determinantes para os sabores e aromas finais. As suas combinações, podem ser como os números de telemóvel…
Há também os maranhos, enchidos feitos com produtos de cabra ou ovelha, os de caça, como o javali ou o veado. As características dos enchidos variam também de região para região, pela criatividade e inspiração de quem sabiamente guarda segredos de outros tempos.
O seu perfume é contagiante, dá vontade de comer, olhar para eles é uma tentação.
Tentações destas é coisa que nos falta, felizmente. Confecionar uma refeição com base no fumeiro, é tarefa que não exige grandes preparações, bastam bons enchidos, uns nacos de broa, um bom copo e está feita a festa, coisa muito simples.
Somos um país pequeno, mas no que se refere à sua diversidade de tradições, somos gigantes.
“Tábua de Enchidos”
Bom apetite!
Um abraço gastronómico.