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Um olhar sobre o Nosso…o Vosso Centro Histórico

Por Carlos CoutinhoAs notícias que tem sido veiculadas pela comunicação social sobre o fecho do trânsito automóvel no Centro Histórico pretendidas pelo município apoiado em exemplos de outros locais, com condições diferenciadas das nossas e afirmando que “…não será realizado qualquer estudo…”, deve criar a necessidade de questionar e analisar do que foi operado até então no nosso burgo e quais os resultados obtidos na retirada do trânsito nessa área!

Depreendendo que a frase “…será fechado ao trânsito com acesso, obviamente, prioritário” indicia unicamente acesso aos veículos de emergência, a interrogação que se coloca deve focar-se nos que aí habitam e nas suas necessidades de locomoção. Podemos e devemos olhar para os exemplos já consolidados e fazer uma análise à sua aplicabilidade como é o caso da praça de São Tiago e ruas adjacentes.

Não recordo o ano em que foi aplicada a retirada do trânsito nesta praça, mas o tempo que já passou, não provocará dúvidas da consolidação dessa mesma medida!

Importa por isso olhar para o tempo decorrido e perceber as alterações que esta praça sofreu com esta medida ao longo dos anos e os seus efeitos. Perguntas devem ser formuladas e ilações devem ser tidas quando o condicionamento de horários restringe a açcão dos habitantes, manietando-os e tornando-os dependentes na sua liberdade e mobilidade.

Quanta desta população residente é antiga e refém da sua condição, sem força ou poder económico para se permitir a mudança?

Quanta desta população, residente em permanência, passou a viver neste exemplo dado, desde que o trânsito foi “condicionado”?

Quanto deste edificado se encontra devoluto, sem qualquer tipo de função nos pisos superiores?

Quanto deste património está nas mãos de grupos imobiliários?

Percorrendo a praça com o olhar, a actividade que sobressai coincide com o comércio de restauração e bebidas, sendo outro tipo de comércio residual. Com a aplicação das restrições ao trânsito no exemplo dado, o aumento de comércio verificado traduziu-se na fixação deste tipo de actividade, pressionando o espaço público, tomado pelas esplanadas de apoio e tudo o que desta advém, para usufruto dos que a procuram em substituição dos carros que outrora ocuparam esse espaço.

Ao idoso ou ao recém-nascido importa a distância aos parques de estacionamento criados e existentes, na sua mobilidade, condicionada ou não, ou ao humor das intempéries que menos frequentes, mas mais intensas, não se compadecem com a rigidez de horário imposto para aceder ou sair da sua residência!

Importa por isso perceber se o que se quer para o Centro Histórico é turismo e lazer ou um compromisso entre o habitar e usufruir!

Será este o nosso, vosso centro histórico que se quer…?

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