O projeto-piloto está a decorrer no Vale da Vilariça, em Trás-os-Montes, e utiliza dados recolhidos por sensores instalados no terreno, incluindo informação sobre a humidade do solo e as condições atmosféricas. Com base nesses dados, o sistema recomenda quando e quanta água deve ser fornecida às oliveiras através da rega gota-a-gota. A solução permitirá aos produtores acompanhar toda a informação através de uma aplicação para telemóvel ou computador. Mesmo sem instalar sensores, os agricultores poderão receber recomendações recorrendo a dados provenientes de estações meteorológicas e de satélites.
Segundo a equipa de investigação, as alterações climáticas e os períodos prolongados de seca representam um desafio crescente para a produção de azeitona e azeite. O novo sistema pretende ajudar a antecipar as necessidades das culturas, melhorar os planos de irrigação e contribuir para uma utilização mais sustentável dos recursos hídricos.
O projeto é coordenado por Cecília Coelho, investigadora do Centro de Matemática da Escola de Ciências da Universidade do Minho, e envolve investigadores da UMinho, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, da Associação de Agricultores do Vale da Vilariça e da empresa Sementinteligente.
A equipa já iniciou a recolha de dados numa exploração agrícola em Vilarelhos, no Vale da Vilariça. Os modelos de inteligência artificial e o software serão aperfeiçoados ao longo do projeto, tendo em conta a experiência dos agricultores envolvidos. Com duração prevista entre 2025 e 2028, a iniciativa conta com um financiamento de cerca de 280 mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação “la Caixa” e dos parceiros do projeto.
O objetivo passa por criar uma ferramenta que possa, no futuro, ser utilizada noutras regiões de Portugal e também em Espanha, promovendo uma produção olivícola mais eficiente, sustentável e adaptada aos desafios das alterações climáticas.
